Soberania

Parlamentares petistas repudiam tentativa de tutela estrangeira sobre o Brasil

Extrema-direita comemora ingerência dos EUA para abafar o escândalo 'Bolsomaster'

Alessandro Dantas

Parlamentares petistas repudiam tentativa de tutela estrangeira sobre o Brasil

Humberto Costa aponta ataques à soberania nacional patrocinados pela extrema-direita

O governo dos Estados Unidos anunciou uma decisão unilateral de classificar as facções criminosas brasileiras PCC e Comando Vermelho como “organizações terroristas”. A medida, considerada completamente descabida sob o ponto de vista do direito internacional e das relações diplomáticas, ignora a autonomia das instituições brasileiras e, pior, põe em risco as linhas de cooperação internacional já existentes no combate ao crime organizado.

Em vez de defender o país, a extrema-direita brasileira correu para comemorar a decisão estrangeira. O clã bolsonarista e seus apoiadores tentam usar a decisão dos Estados Unidos como cortina de fumaça para desviar o foco das graves suspeitas que os assombram no escândalo “Bolsomaster”.

A classificação imposta pelos EUA pode trazer consequências para a economia do Brasil. Ao carimbar facções locais com o selo de “terrorismo”, o governo americano impõe sanções automáticas que afetam diretamente as instituições financeiras que operam no território nacional.

O senador Humberto Costa (PT-PE) alertou para o impacto que o oportunismo da oposição pode gerar no cotidiano de cada cidadão brasileiro.

“O pedido de intervenção articulado por Flávio Bolsonaro coloca em risco o nosso sistema bancário e o PIX. Não é disputa ideológica. É ataque direto ao seu salário, ao seu sustento. Enquanto articulam nos bastidores contra os interesses do país, quem paga a conta é o trabalhador”, denunciou.

O senador também relembrou a total incompetência da gestão anterior na segurança pública e a falta de respostas sobre as ligações do clã com o submundo do crime. “O que os Bolsonaro tentam esconder: 4 anos de mandato e zero ação efetiva contra o crime organizado. Enquanto isso, as explicações sobre os vínculos com a milícia nunca vieram”, completou.

Além dos riscos econômicos, a medida fere o princípio da autodeterminação dos povos. O Brasil possui polícias estruturadas, Judiciário independente, Ministério Público atuante e Forças Armadas capazes de proteger suas fronteiras, não necessitando que Washington dite as regras de como o país deve tipificar ou combater a criminalidade interna.

O senador Fabiano Contarato (PT-ES) defendeu a autonomia do Estado brasileiro e rejeitou qualquer tentativa de subordinação.

“O Brasil não precisa de tutela estrangeira para enfrentar o crime organizado. Somos um país soberano, e o combate às facções criminosas deve ser conduzido com respeito às nossas instituições, às nossas leis e à autonomia nacional”, declarou o parlamentar.

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