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Sobre o Tarifaço, por Beto Faro

Senador alerta para riscos de interferência dos EUA, aponta baixo impacto geral do tarifaço e defende diversificação comercial e soberania nacional.

Alessandro Dantas

Sobre o Tarifaço, por Beto Faro

Confesso certa ‘paura’ em comentar os atos de desestabilização e ódio disseminados no mundo neste curto período da administração Trump2.

Já abordamos tais ações neste espaço, mas isso hoje realmente assusta pela dimensão e diversificação alcançadas pelos danos à ordem e à economia globais.

Esse sentimento ficou mais agudo com a aparente ‘divisão de tarefas’ ocorrida na Casa Branca pela qual o Secretário de Estado parece ter sido designado ‘vice-rei’ dos EUA para a América Latina. Comenta-se que o Secretário não morre de amores por essa região do planeta, em especial, pelos países sob governos que julga de esquerda, rótulo que aplica ao governo Lula.

O estreitamento das relações dessa autoridade do governo americano com a extrema-direita brasileira certamente aumenta os riscos de tentativas de intromissão daquele governo no nosso processo eleitoral para tentar eleger o candidato “patriota”. O povo brasileiro está atento!

Nesse contexto, a sanha por ataques ao Brasil, ao ponto de ter levado o Secretário a qualificar nosso país como inimigo dos EUA, escalou com a mais recente rodada de tarifaço sobre exportações de produtos brasileiros. O Brasil passou a ser o terceiro país com as maiores tarifas aplicadas pelo governo americano que em um simulacro de investigação usou a Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos para subverter a decisão da Suprema Côrte que revogou o tarifaço original.

Graças a Deus que, no macro, os efeitos das novas tarifas são pouco significativos já que em 2025 nossas exportações para os EUA corresponderam a 10.8% do total em 2000 correspondiam a 24%.

Afora isso, por necessidade; não por empatia com os brasileiros, o governo americano criou uma extensa lista de produtos livres das tarifas para evitar danos a vários setores econômicos dos EUA. Vale lembrar que além do grau de dependência dos americanos em vários produtos importados do Brasil, ao longo do tempo foi estruturada forte relação de complementariedade econômica entre os dois países. Em que pese essas ressalvas, produtos ou subsetores específicos, incluindo muitos de alto valor agregado, serão significativamente afetados e o governo está atuando para mitigar esses prejuízos, sem perda de emprego.

No caso do agro, estudo da Confederação Nacional da Agricultura conclui que as novas tarifas dos EUA afetam entre 33% e 36,5% do valor total das exportações setoriais do Brasil para o mercado norte-americano. De todo modo, as nossas exportações agropecuárias para os EUA, em 2025, representaram 6.7%, quando no ano de 2000 chegavam a 18%. Portanto, também no geral, baixo impacto na agricultura.

Examinando o comércio externo do Pará, em 2025 o estado exportou para a China 11 bilhões de dólares, valor que representou 45.4% do valor total exportado. O superávit comercial do Pará com a China foi gigantesco, alcançando 10.6 bilhões de dólares e a extrema direita quer romper com a China; pode?

Já para os EUA exportamos, em 2025, apenas 1 bilhão de dólares (4.3% do total) e importamos 878 milhões de dólares. Assim, faz todo o sentido o amor de muitos a Trump e o desprezo ao Xi Jinping.

Reproduzindo o caso geral brasileiro, o tarifaço terá baixo impacto na economia do Pará, no macro, não obstante impactos específicos a exemplo dos pescados. Os grandes itens da pauta exportadora do estado constam da lista de exceções.

Em suma, como disse o presidente Lula: não adiante ficar chorando com as violações e agressões do atual governo estadunidense. Cabe acelerar ainda mais a estratégia pela diversificação dos parceiros comerciais, e defender as empresas e empregos afetados. Ao mesmo tempo e, sobretudo, cumpre às nossas instituições e ao povo brasileiro impedir qualquer tentativa externa de violação da soberania e da democracia no Brasil.

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