Defesa de Dilma denuncia acordão para acelerar julgamento do processo de impeachment

:: Giselle Chassot3 de agosto de 2016 16:54

Defesa de Dilma denuncia acordão para acelerar julgamento do processo de impeachment

:: Giselle Chassot3 de agosto de 2016

Humberto: “O que está por trás disso é um acordão”Os senadores que compõem a ala legalista do Parlamento não vão aceitar as pressões do presidente usurpador, Michel Temer (PMDB-SP) sobre o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) para apressar o calendário do processo de impeachment. Na última terça-feira (02), Renan chegou a anunciar que o julgamento da presidenta deveria ter início no dia 25 de agosto, em vez do dia 29, como previa o cronograma acordado. Além disso, ele disse que poderá haver sessões nos finais de semana. A pressa teria acertada num almoço que reuniu Temer e Renan.

A correria tem razões muito maiores que o desejo de Temer de participar da cúpula de Estado do G-20, nos dias 4 e 5 de setembro como presidente efetivo, e não como interino, como especulam os jornais desta quarta-feira (3). O senador Humberto Costa (PT-PE) revela a motivação real, bem menos nobre, do que o pretexto de “acabar com a crise” provocada pela indefinição sobre quem ocupa o Palácio do Planalto.

“O que está por trás disso é um acordão. Porque ele (Temer) tem medo da delação do Eduardo Cunha (ex-presidente da Câmara). Um acordão que envolve o presidente da Câmara (Rodrigo Maia), que está querendo adiar a cassação do Eduardo Cunha. Um acordão que envolve o Centrão e que envolve esse governo e o presidente da República interino”, denunciou Humberto, na abertura da sessão da Comissão Especial do Impeachment que discute o relatório do senador Antônio Anastasia (PSDB-MG).

Enquanto Renan diz que não houve pressão alguma, aliados de Temer relatam à imprensa que o usurpador reclamou e pediu a pressa. Pressa essa que os legalistas se recusam a admitir. “Estamos aqui protestando sobre o calendário porque o que está acontecendo aqui é que estamos quebrando a soberania popular”, explicou a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR). “E agora, o que vamos fazer; um afastamento sem crime e sem direito à defesa?”, questionou.

Lindbergh Faria  (PT-RJ) diz que o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski –  que presidirá o julgamento de Dilma Rousseff – não pode aceitar o acordão que os golpistas estão articulando, “inclusive com distribuição de cargos”, denunciou. “Um presidente interino articulando, tentando acelerar o processo é um desrespeito ao Senado Federal”, disse.

Lindbergh disse que se a correria se mantiver, a defesa da presidenta Dilma pedirá para ouvir todas as testemunhas a que tem direito e não aceitará qualquer acordo.

Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) acrescentou que Lewandowski já garantiu aos legalistas que não haverá sessões aos finais de semana, como querem os golpista. “Ele disse que nem pensar; que isso não é uma tradição do Judiciário brasileiro”, assegurou.

Está marcada para esta quinta-feira (4), uma nova reunião para definição dos procedimentos a serem adotados no julgamento final.

Giselle Chassot

 

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