Demóstenes tenta desmontar relatório de Humberto, mas não convence

:: Da redação29 de maio de 2012 18:38

Demóstenes tenta desmontar relatório de Humberto, mas não convence

:: Da redação29 de maio de 2012

Para conseguir acreditar integralmente no que disse o senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO) em depoimento nesta terça-feira (29/05) no Conselho de Ética que investiga a sua relação com o contraventor Carlos Augusto Ramos- o Carlinhos Cachoeira – seria necessário supor que houvesse dois Demóstenes. O primeiro era o líder do Democratas que se notabilizou por denunciar corruptos, atacar duramente o mal-feito e viver nos calcanhares do Governo. O segundo, acuado, deprimido, vítima ingênua de uma bem-articulada conspiração para desmoralizá-lo e desconstruir sua imagem como paladino da moralidade. Um homem cansado, abalado, à beira da renúncia e até do suicídio, mas resgatado pela fé.

Se o primeiro era combativo, o segundo pareceu tímido. Foi incapaz de explicar como um promotor de Justiça famoso por seu conhecimento jurídico pôde se deixar engambelar por um contraventor disfarçado sob a pele de empresário bem-sucedido. Um investigador fracassado, que fazia “testes” para verificar que seu amigo empresário não estava metido em ilegalidades e que foi injustamente enredado numa teia de intrigas.

A estratégia de Demóstenes, embora aparentemente bem-articulada com seu advogado, Carlos Eduardo de Almeida Castro, o Kakay, era previsível: desqualificar a investigação da Polícia Federal e o Ministério Público e dizer que insistir na tese de que um senador como ele deveria ter sido investigado não por esses dois órgãos, mas pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Com isso, Demóstenes também tentou desmontar o relatório do senador Humberto Costa (PT-PE), que se baseou nos inquéritos das operações Vegas e Monte Carlo.

Nas cordas

Ponderado e extremamente técnico, Humberto jogou Demóstenes nas cordas em pelo menos duas ocasiões. Primeiro, quando questionou se o senador goiano sabia que seu amigo Cachoeira vivia de atividades ilegais. O senador goiano garantiu que não sabia que o amigo Carlinhos Cachoeira “mexia com contravenção”.

E insistiu na tese de que o jogo só se tornou ilegal em 2007, depois de uma súmula vinculante do STF sobre o assunto. “O que ele (Cachoeira) disse para mim é que havia abandonado o jogo”, disse o acusado. Demóstenes alegou que se a atividade fosse ilegal, não haveria necessidade de o então presidente Lula baixar uma Medida Provisória regulamentando o assunto. E insistiu que Cachoeira começou a operar legalmente seus negócios em 1995 e que só a súmula do STF tornou a atividade ilegal.

Humberto rebateu. Deixou claro que uma decisão já tornava a atividade ilícita desde 31 de dezembro de 2011.  “A MP de Lula foi necessária para exterminar decisões de Tribunais Regionais que estavam concedendo liminares a empresários; a MP tenta sanar definitivamente o problema”.

Outro golpe certeiro do relator foi o questionamento sobre o telefone Nextel, que Demóstenes recebeu como presente do amigo bicheiro. O “ingênuo” Demóstenes não viu qualquer problema em aceitar um telefone como presente, embora ele tenha, no mínimo, um outro aparelho – entregue pelo Senado a cada um dos parlamentares no início da legislatura.

“Por que o senhor aceitou o presente?”, perguntou Humberto. Porque ele funcionava em qualquer lugar, disse Demóstenes. “Quem pagava a conta”? questionou o relator. “Era ele”, respondeu Demóstenes, justificando que a sua conta não passava de R$ 40 ou R$ 50.  “Mesmo que fosse um real, o senhor é um agente público”, atacou o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP).

Giselle Chassot

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