Dilma afirma que desequilíbrio cambial prejudica países emergentes

:: Da redação9 de abril de 2012 20:12

Dilma afirma que desequilíbrio cambial prejudica países emergentes

:: Da redação9 de abril de 2012

No encontro ocorrido nesta segunda-feira (09/04) na Casa Branca com o presidente dos EUA, Barack Obama, a presidenta Dilma Rousseff demonstrou preocupação com o desequilíbrio cambial causado pelas políticas expansionistas dos países desenvolvidos, que têm como consequência a desvalorização de suas moedas e, segundo ela, comprometem o crescimento dos países emergentes.

“Essas políticas monetárias solitárias, no que se refere à políticas fiscais, levam à desvalorização das moedas nos países desenvolvidos, levando ao comprometimento do crescimento dos países emergentes. Consideramos que o papel dos Estados Unidos nessa conjuntura e neste mundo multilateral que vem surgindo é muito importante”, afirmou.

Dilma pediu maior integração e, para tanto, o fim de medidas protecionistas na região -incluindo o que chamou de protecionismo cambial. Dilma falou ao lado de Obama após o encontro, que durou 1h30, o dobro do tempo previsto. Segundo a presidenta, os Estados Unidos têm um papel importante na contenção da crise e na retomada do crescimento econômico.

“A grande flexibilidade da economia norte-americana, a liderança na área de ciência, tecnologia e inovação tida pelos Estados Unidos e, ao mesmo tempo, as forças democráticas que fundam a nação americana tornam importante, muito importante os Estados Unidos, tanto na contenção da crise quanto na retomada da prosperidade”.

Em março, a presidente já havia chamado de “tsunami monetário” as políticas de proteção dos países ricos, que injetam dólares em diversos mercados, reduzindo a cotação do dólar frente às moedas locais. Com isso, as exportações ficam prejudicadas, o que tem acontecido no Brasil.

Parcerias

Dilma ainda destacou as parcerias Brasil-EUA nas áreas de energia, defesa, educação e tecnologia. “Brasil e os Estados Unidos têm crescentemente estreitado suas relações comerciais, ampliado investimentos recíprocos. Todas as nossas relações apresentam resultados muito importantes, mas, ao mesmo tempo, demonstram que estamos aquém das nossas possibilidades”, afirmou ao destacar que o investimento brasileiro nos Estados Unidos já chega a 40% do total de investimento americano no Brasil.

Segundo ela, a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016 “permitem amplas oportunidades de investimento e parcerias entre empresas norte-americanas e brasileiras”.

Dilma ainda disse que convidou Barack Obama a participar da conferência sobre desenvolvimento sustentável, a Rio+20, que será realizada no Brasil em junho. sustentável.”

Visita

A reunião de Dilma Rousseff com Barack Obama aconteceu no Salão Oval da Casa de Branca em Washington. O encontro entre os líderes faz parte da visita oficial de Dilma aos Estados Unidos, que começou no domingo e terminará na terça-feira. Dilma chegou na tarde de domingo e se reuniu com um grupo de empresários brasileiros para preparar o fórum de altos executivos, realizado nesta segunda-feira com empresas americanas.

Esta é a terceira vez que os dois se encontram como presidentes: a primeira foi em março do ano passado, quando Obama visitou o Brasil. A segunda, na Assembleia Geral da ONU, em Nova York, em setembro do ano passado.

Ainda hoje, a presidenta fará um discurso na Câmara de Comércio dos Estados Unidos, dentro de um fórum empresarial entre ambos países do qual também participarão a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, e o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota.

Na pauta dos dois países está também a inclusão do Brasil no Programa de Isenção de Vistos, para incentivar o movimento de turistas e empresas entre os dois países, e a facilitação de vistos para trabalhadores qualificados no Brasil.

As autoridades brasileiras assinarão 14 acordos na área de educação relativos ao programa Ciência Sem Fronteiras, para permitir que mais universidades americanas recebam estudantes brasileiros. A meta do Ciência Sem Fronteiras é enviar 101 mil bolsistas para estudar no exterior – 75 mil financiados pelo governo – e a expectativa é que cerca de um quinto deles venha para os Estados Unidos.

Além desses acordos, também devem ser assinados quatro acordos internacionais e três institucionais. Entre as áreas contempladas estão aviação (na qual os dois países são líderes mundiais), segurança alimentar (para atuação conjunta em outros países), cooperação descentralizada (relativa a Estados e municípios), além de uma troca de cartas para reconhecimento dos nomes internacionais da cachaça brasileira, e do bourbon e uísque do Tennesse.

Com informações de agências onlines

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