Brasil enfraquecido

Economista: Negligenciar Mercosul ameaça economia

Representantes da indústria e economistas criticaram posição defendida por Paulo Guedes, “guru econômico” de Bolsonaro, de não priorizar o Mercosul
:: Brasil de Fato5 de novembro de 2018 11:37

Economista: Negligenciar Mercosul ameaça economia

:: Brasil de Fato5 de novembro de 2018

Cotado para assumir uma nova pasta da Economia, Paulo Guedes já afirmou que o Mercosul não será prioridade na política externa do país. A pasta reunirá os ministérios da Fazenda, do Planejamento e o Mdic (Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços).

Questionado sobre a futura relação do Brasil com o bloco, formado também pela Argentina, Uruguai e Paraguai, o “guru econômico” de Bolsonaro se irritou ao responder a pergunta feita por uma repórter do jornal argentino El Clarín. A Venezuela foi absorvida em 2012, mas está suspensa do bloco desde dezembro de 2016.

Guedes disse ainda que o Mercosul “foi feito totalmente ideológico” e classificou a aliança como uma “prisão cognitiva”, em que só se negocia “com gente que tiver inclinações bolivarianas.”

A declaração, no entanto, não foi bem recebida pela indústria brasileira. Na última terça-feira (30), dois dias após a entrevista de Guedes, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou uma nota na qual destacou a importância do Mercosul para o comércio brasileiro e pediu a continuidade da agenda de negociações entre os países envolvidos.

“Se o governo brasileiro não der prioridade ao Mercosul, ou ainda pior, se se reduzir a Tarifa Externa Comum (formada por alíquotas praticadas pelo Mercosul com mercados que não fazem parte do bloco) de forma unilateral, o único ganhador é a China, que já vem tomando o mercado brasileiro em toda a América do Sul. Pequenas e médias empresas, que exportam mais para esses países, serão as mais afetadas”, advertiu a CNI.

Na opinião de Paulo Kliass, doutor em economia, caso o anúncio de Guedes se concretize e o Mercosul não seja priorizado, as relações comerciais serão enfraquecidas e isto afetaria a economia brasileira de forma negativa.

Atualmente, o Produto Interno Bruto (PIB) total do Mercosul é de US$ 2,8 trilhões (R$ 10,4 trilhões). Como principal país exportador do grupo, o Brasil tem se beneficiado: ano passado o saldo foi de US$ 10,7 bilhões (R$ 39,7 bilhões), o que contribuiu para que a balança comercial fechasse no azul.

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