Brasil

Senadores reforçam defesa do fim da escala 6×1 e alertam contra retrocessos

Parlamentares criticam proposta apresentada pela oposição, defendem aprovação da PEC 221/2019 e pedem mobilização popular para acelerar análise no Senado
Senadores reforçam defesa do fim da escala 6×1 e alertam contra retrocessos

Os senadores do PT, alinhados à defesa dos direitos trabalhistas, intensificaram nesta semana a mobilização pela aprovação da PEC 221/2019, que trata do fim da escala 6 por 1, sem redução salarial e da adoção de uma jornada mais equilibrada para os trabalhadores brasileiros. Os parlamentares também criticaram a PEC 12/2026, apresentada pela oposição bolsonarista, por representar um novo risco de precarização das relações de trabalho.

Para o senador Fabiano Contarato (PT-ES), a aprovação da proposta pelo fim da escala 6 por 1 na Câmara dos Deputados demonstrou a força da mobilização popular e a demanda por mudanças nas condições de trabalho no país. Segundo ele, a PEC alternativa apresentada pela oposição representa um retrocesso.

Contarato enfatizou, nas redes sociais, que a PEC 12/2026 “abre caminho para a precarização das relações de trabalho sob o falso discurso da liberdade de escolha” e alertou que, na prática, a medida pode significar a adoção de uma jornada ainda mais exaustiva.

“Não podemos aceitar que direitos conquistados com décadas de luta sejam colocados em risco justamente quando o país avança no debate sobre jornadas mais humanas”, declarou.

O senador reforçou oposição integral à proposta e disse que seguirá na defesa da PEC 221/2019, pelo fim da escala 6 por 1, por representar “mais dignidade, mais qualidade de vida e mais tempo para viver”.

Apoio popular cresce pelo fim da escala 6 por 1

O senador Humberto Costa (PT-PE) destacou a crescente mobilização social em torno da pauta e afirmou que a expectativa pelo fim da escala 6 por 1 já domina o debate público. Segundo ele, a população tem manifestado apoio à mudança em diferentes espaços.

“Todo mundo quer saber quando vai começar a trabalhar cinco dias e folgar dois. Todo mundo tem direito ao lazer, a estudar, a ficar com a família”, afirmou.

Para o parlamentar, a pressão popular será decisiva para acelerar a tramitação da PEC no Senado. Ele conclamou a sociedade a se mobilizar por meio das redes sociais, mensagens e cobranças diretas aos senadores para garantir que a proposta seja colocada em votação o quanto antes.

Já o senador Paulo Paim (PT-RS) defendeu a urgência da discussão e ressaltou os impactos negativos do atual modelo sobre a saúde física e mental dos trabalhadores.

O senador destacou nesta segunda-feira (1º/6), em plenário, dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Os números apontam que 14,8 milhões de trabalhadores brasileiros estão submetidos à escala 6×1, o equivalente a praticamente um em cada três ocupados. O levantamento aponta ainda que 64% desses trabalhadores formais cumprem jornada superior a 40 horas semanais.

Paim também chamou atenção para o desgaste provocado pelo deslocamento diário. De acordo com os números apresentados, 7,4 milhões de trabalhadores levam mais de uma hora para chegar ao local de trabalho, enquanto 1,3 milhão passam mais de duas horas apenas no trajeto entre casa e emprego.

“Quando defendemos as 40 horas e a escala 5 por 2, não estamos falando de algo revolucionário ou impossível. Estamos falando de políticas humanitárias, de equilíbrio e de bom senso”, afirmou.

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