Emboscada a acampamento do MST no Paraná deixa dois mortos e vários feridos

:: Da redação7 de abril de 2016 21:52

Emboscada a acampamento do MST no Paraná deixa dois mortos e vários feridos

:: Da redação7 de abril de 2016

Uma ação da Polícia Militar Ambiental do Paraná em um acampamento do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST) deixou ao menos duas pessoas mortas em Quedas do Iguaçu, no sudoeste do Paraná. Além disso, a Polícia Militar (PM) reconhece que seis pessoas ficaram feridas, mas o MST afirma que 22 integrantes do movimento foram atingidos por disparos de arma de fogo. O confronto ocorreu nesta quinta-feira (7), numa área conhecida como acampamento Tomás Balduíno.

Apesar das poucas informações disponíveis sobre a situação no local, representantes dos acampados denunciam que o que ocorreu foi uma verdadeira emboscada. Seguranças e jagunços ligados à empresa Araupel, dona da área onde estão os trabalhadores rurais, teriam contado com a ajuda da Polícia Militar para agir em área que não é parte do acampamento, mas ainda assim, dentro do território ocupado.

Ainda sem acesso a detalhes sobre o ocorrido, a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) solicitou a sua equipe no Paraná que acompanhasse o caso. Ela não se mostrou surpresa com a truculência das autoridades policiais paranaenses. Afinal, lembra a senadora, “a violência no Paraná, no trato com os movimentos sociais, tem sido uma constante”. Ela citou a agressividade com que o governador tucano Beto Richa agiu contra os professores em greve, no ano passado.

A dimensão da violência contra famílias de sem-terra, no entanto, chocou a parlamentar. “Não há nada que justifique morte de trabalhadores rurais em um acampamento e essa é mais uma página muito triste de nossa história”, declarou Gleisi, que fez questão de demonstrar sua  solidariedade às famílias.

A versão da Secretaria Estadual de Segurança Pública (Sesp), divulgada pela imprensa local, é de que a equipe da Ronda Tática Motorizada (Rotam) estaria em uma área chamada Fazendinha verificando um foco de incêndio. Ao se deslocar para o local, os policiais teriam sido interceptados “por mais de 20” integrantes do MST. Os líderes sem-terra, porém, refutam essa versão, afirmando que foram os trabalhadores as vítimas de uma emboscada.

Histórico
O acampamento Tomás Balduíno, localizado em uma área pertencente a empresa Araupel, está organizado com 1.500 famílias, cerca de sete mil pessoas. Os trabalhadores sem Terra do local sofrem com constantes ameaças por parte de seguranças e pistoleiros da empresa.

Este cenário reflete parte do clima de tensão que nasce na luta pelo acesso à terra e contra a grilagem na região. O conflito tem relação com o surgimento de dois acampamentos do MST na região centro-sul do Paraná, construídos nas áreas em que funcionam as atividades da empresa exportadora de pinus e eucalipto.

O primeiro acampamento, Herdeiros da Terra, está localizado no município de Rio Bonito do Iguaçu. A ocupação aconteceu em 1º de maio de 2014 e hoje abriga mais de mil famílias. Ali, elas possuem aproximadamente 1,5 mil hectares para a produção de alimentos.

O segundo acampamento, Dom Tomás Balduíno, cuja ocupação teve início em junho de 2014, tem 1.500 famílias e fica na região de Quedas do Iguaçu. Ao contrário da outra ocupação, esta tem 12 alqueires de área aberta, sendo apenas 9 – cerca de 30 hectares – utilizados para o plantio.

Giselle Chassot e Catharine Rocha, com informações do MST, da assessoria de imprensa da senadora Gleisi Hoffmann e das agências de notícias

 

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