Brasil

Estudo e dados oficiais rebatem crítica preconceituosa ao Bolsa Família

Dados do governo e estudo da FGV mostram que milhões de famílias superaram a pobreza e deixaram o programa nos últimos anos

Lyon Santos/MDS

Estudo e dados oficiais rebatem crítica preconceituosa ao Bolsa Família

“Como é que você motiva a família que precisa, que necessita do Bolsa Família, a ter vontade de querer sair desse programa? […] Você não gera nenhum tipo de estímulo para que as famílias queiram sair do Bolsa Família. Na verdade, elas criam atalhos para ficar no programa de distribuição de renda, de proteção social, ad eternum”.

Esse é o trecho de mais um ataque raso e carregado de preconceito contra o Bolsa Família, programa criado pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2003, responsável por ajudar o Brasil a sair do Mapa da Fome e por melhorar as condições de vida de milhões de famílias.

A declaração foi feita pelo apresentador Luciano Huck durante participação no 5º Fórum Esfera, realizado no último fim de semana, no Guarujá (SP). Na avaliação dele, o programa social não estimularia as famílias a superarem a situação de vulnerabilidade.

Os dados oficiais, no entanto, desmentem categoricamente essa afirmação.

Bolsa Família: 2 milhões de famílias deixam o programa após aumento de renda em 2025

Informações da Secretaria Nacional de Renda de Cidadania (Senarc), vinculada ao Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), mostram que 2 milhões de famílias deixaram de receber o Bolsa Família entre janeiro e outubro de 2025 em razão do aumento da renda, seja pela conquista de emprego formal, pela abertura de pequenos negócios ou pela melhora das condições financeiras do domicílio.

Das 2.069.776 famílias que deixaram o programa no período, a maioria — 1.318.214 — saiu em razão do aumento da renda total familiar. Outras 24.763 solicitaram desligamento voluntário, enquanto 726.799 concluíram o período previsto na chamada Regra de Proteção.

O mecanismo permite que famílias continuem recebendo metade do valor do benefício por até 12 meses após superarem o limite de R$ 218 mensais per capita, desde que a renda não ultrapasse R$ 706 por pessoa.

O ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Wellington Dias, rebateu as críticas e destacou que milhões de famílias que um dia precisaram do apoio do Estado brasileiro já conseguiram superar a condição de pobreza.

“Bolsa Família não é só transferência de renda. É um programa de transformação da família. Sua eficiência está atestada por organismos como PNUD, FAO, Banco Mundial, IBGE e FGV. De 2023 para cá, cerca de 7 milhões de famílias saíram da pobreza graças ao Bolsa Família, e mais de 5 milhões ascenderam à classe média. É o social integrado ao desenvolvimento econômico”, afirmou.

Estudo da FGV reforça impacto social

Levantamento da Fundação Getulio Vargas (FGV), divulgado em dezembro do ano passado, mostra que, em dez anos, 60,7% dos beneficiários deixaram o programa.

Segundo o estudo Filhos do Bolsa Família, realizado em parceria com o MDS, de cada dez pessoas que recebiam o benefício em 2014, seis deixaram de depender da transferência de renda ao longo da década seguinte.

A maior taxa de saída foi registrada entre jovens que tinham de 15 a 17 anos em 2014: 71,25% deixaram o programa nos dez anos seguintes. Entre aqueles com idades entre 11 e 14 anos, o percentual chegou a 68,8%.

O estudo avalia a chamada “segunda geração” do programa e evidencia como o acesso à renda mínima contribui para ampliar oportunidades e romper ciclos históricos de pobreza.

Para o senador Humberto Costa, os dados demonstram que a crítica feita por Luciano Huck está equivocada.

“Os filhos do Bolsa Família, em grande parte, já não dependem mais do Bolsa Família. Isso não é opinião, é dado. Combater a fome não produz preguiça. Produz oportunidade, dignidade e futuro”, destacou o parlamentar.

MDS lança cartilhas contra fake news sobre o Bolsa Família

To top