Justiça social

Fim da 6×1 avança e Senado está a um passo de concluir votação

Aprovação da PEC, apoiada por Lula e bancada progressista, será conquista histórica dos trabalhadores

Alessandro Dantas

Fim da 6×1 avança e Senado está a um passo de concluir votação

Paulo Paim: redução da jornada de trabalho une todos os credos

O Senado deu mais um passo decisivo para garantir a aprovação da proposta de emenda constitucional (PEC 221/2019) que põe fim à jornada de trabalho 6×1, sem redução de salários. A proposta vai reduzir o teto da carga horária semanal de 44 para 36 horas, assegurando ao trabalhador pelo menos dois dias de descanso semanal.

No penúltimo dia de debates da PEC antes da votação, os senadores do PT voltaram à tribuna para valorizar a luta dos trabalhadores, encampada desde o início pelo governo do presidente Lula. Argumentos como a necessidade de garantir saúde física e mental e tempo de convivência social venceram o debate na sociedade contra os esforços de uma elite atrasada, com matizes escravistas em pleno século XXI.

Até o último momento, as forças do atraso lutaram para impedir o avanço social, cedendo apenas quando a vitória dos trabalhadores se mostrou inevitável.

“Flávio Bolsonaro acaba de anunciar o apoio à proposta. E olhem só: antes era contra o Bolsa Família; depois, votou a favor. Ele antes era contra o Farmácia Popular; depois, virou a favor. Ele antes era contra o fim da 6×1; ficou a favor”, comentou o senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), lembrando que assim como o candidato da extrema direita, outros parlamentares de oposição chegaram a assinar uma proposta que retira da Constituição qualquer garantia de descanso semanal remunerado, a chamada PEC 7×0.

A expectativa é de conclusão da votação já nesta quinta-feira (14/10). A líder do Governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), apresentou requerimento para a adoção de calendário especial de votação, que já tem as assinaturas necessárias para deliberação.

“Nada é mais razoável do que a gente amanhã coroar esse processo de debate feito em acordo firmado entre o presidente Lula, o presidente Davi [Alcolumbre] e mediado pela nossa articulação aqui, e aprovar essa PEC, com toda pompa e circunstância. Quem votar favoravelmente escreverá na história do seu mandato um processo tão importante quanto foi a Constituição”, avaliou a senadora.

Como tem feito em todos os debates ocorridos no Senado, o senador Paulo Paim (PT-RS) pediu a palavra para defender o caráter humanitário da proposta. Dessa vez, lembrou que condições de trabalho mais dignas, como a proposta vai impor, se inscrevem nas tradições culturais e religiosas abraçadas pelos brasileiros.

“O único ponto de concordância absoluta entre católicos, evangélicos, judeus, espíritas, umbandistas, budistas, muçulmanos e até mesmo ateus é a necessidade de tempo para viver melhor; para o cultivo da consciência, para o espírito, para a alma”, afirmou.

Paim acrescentou que a ciência reforça a necessidade de redução da jornada de trabalho. “Estudos comprovam que momentos de contemplação, oração e silêncio ativam o sistema nervoso, reduzem o estresse, diminuem a pressão e o cortisol; dão sentido à dor, geram resiliência, constroem comunidade e laços de solidariedade e para isso é preciso tempo”.

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