Governo do Paraná quer vender florestas. Gleisi condena

Beto Richa tentou leiloar 41% das florestas públicas do estado, mas nenhum interessado se apresentou

:: Da redação28 de maio de 2014 15:00

Governo do Paraná quer vender florestas. Gleisi condena

:: Da redação28 de maio de 2014

Gleisi: e lamentável que o resultado dessa
gestão recaia sobre o povo paranaense

O episódio ainda não ganhou destaque na imprensa, apesar da atenção dos grandes jornais aos temas ecológicos, mas agora deve ganhar a devida repercussão com a denúncia feita nesta terça-feira (27), da tribuna do Senado. A senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) acusou ontem nova tentativa do governo do Paraná de vender mais um bem público para cobrir um rombo nas debilitadas contas do estado, no caso uma área coberta por florestas intactas, de dez mil hectares, para exploração comercial. A tentativa, que não progrediu pela falta de interessados, seguiu à risca a lógica do governador, Beto Richa, e seu partido, o PSDB: desfazer-se do bem público para sanar as contas públicas que foram arruinadas pela má admionistração.  “Dando novas e robustas provas da falência das finanças estaduais e da absoluta incapacidade gestora, ontem o governador tentou vender 41% das florestas públicas do Paraná para poder fazer caixa”, apontou a senadora.

A iniciativa do governo tucano não progrediu: não surgiram interessados em participar do leilão. Além disso, a venda de florestas seria coibida por força das várias ações populares contrárias ao leilão. “Seriam vendidos 12,8 mil hectares ao preço mínimo de R$ 105 milhões. Metade da área é remanescente da Mata Atlântica situada entre a Serra do Mar e o interior paranaense”, detalhou Gleisi.

“Felizmente a intenção de vender as florestas públicas do governo estadual fracassou pela inexistência de interesse no leilão. É lamentável que o resultado dessa gestão recaia sobre o povo paranaense que, mesmo trabalhando duro e cumprindo seus deveres, tem sido obrigado a lidar com uma administração inconsequente”, salientou.

O que a senadora aponta é sentido na pele por muitos trabalhadores, porque desde o ano passado a administração estadual não paga nem mesmo as dívidas que contraiu com pequenos fornecedores, como oficinas mecânicas, postos de combustíveis, aluguéis de imóveis, produtores vinculados aos programas sociais e até os correios. “Acredito em um futuro no qual os paranaense possam projetar com esperança e, efetivamente, realizar todos os seus sonhos e aspirações”, disse ela.

Agricultura Familiar

Em seu discurso, a senadora Gleisi Hoffmann também comemorou os valores expressivos anunciados ontem pela presidenta Dilma para o Plano Safra da Agricultura Familiar 2014/2015. Os investimentos somam R$ 24,1 bilhões, dez vezes mais do que o governo de FHC investiu na safra 2001/2002 – e os juros para custeio e investimento variam apenas de 0,5% a 3,5% ao ano. “A presidenta Dilma manteve a taxa de juros que foi aplicada na safra passada. Nós estamos falando de juros negativos, de juros que são subsidiados e que, portanto, ajudam muito a nossa política agrícola, a agricultura familiar”, afirmou.

Gleisi ainda comemorou a novidade que atenderá as mulheres agricultoras. Cerca de R$ 500 milhões serão aplicados em assistência técnica dirigida às mulheres que têm uma empresa, uma fábrica, uma agroindústria para processar os alimentos que planta. “Essa política é importante porque muitas vezes o agricultor tem o crédito, o recurso, mas não tem uma avaliação correta de sua propriedade, do tipo da terra, do que a propriedade é capaz de produzir e o que o mercado está requerendo. Por falta de informações, muitas vezes o agricultor familiar acaba não tendo um rendimento, uma boa colheita”, disse ela.

A senadora destacou a assinatura pela presidenta Dilma do decreto que regulamentou a Agência Nacional de Assistência Técnica, a Anater, um órgão nacional que irá dar assessoria à agricultura familiar.

Marcello Antunes

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