Dragão da dependência

Governo queima Amazônia, imagem do Brasil e exportações

Os incendiários desse governo criminoso estão queimando o maior patrimônio natural do planeta, uma riqueza brasileira soberana”, protestou o líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE)
:: Cyntia Campos22 de agosto de 2019 14:56

Governo queima Amazônia, imagem do Brasil e exportações

:: Cyntia Campos22 de agosto de 2019

Entre 1º de janeiro e 18 de agosto deste ano, o Brasil registrou 73 mil incêndios florestais, um aumento de 83% nas ocorrências, em relação ao mesmo período do ano passado.

Esses dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) não computaram a imensa queimada registrada em Rondônia, na última segunda-feira (19), que fez a noite cair sobre a cidade de São Paulo às 3 horas da tarde — episódio que o jornal britânico The Independent chamou, em perplexa manchete, de “Dia do Juízo Final”.

“O Brasil está ardendo em chamas. Os incendiários desse governo criminoso estão queimando o maior patrimônio natural do planeta, uma riqueza brasileira soberana”, protestou o líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE).

BolsoNERO
O senador manifestou especial indignação com o que classificou de “infâmia” do presidente Jair Bolsonaro, que acusou as organizações não governamentais ambientalistas de estarem por trás das queimadas, para atingir seu governo.

“A Nasa [agência espacial dos EUA] confirma a Amazônia em chamas. Bolsonaro vai criticar Donald Trump?”, provoca Humberto, que em postagem na rede social Twitter chamou o presidente de “BolsoNERO”, em alusão ao imperador da Antiguidade que teria incendiado Roma.
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Em outubro de 2018, a agência de notícias norte-americana Bloomberg já chamava a atenção para “o desejo de Bolsonaro de liberar o potencial de mineração da Amazônia”.[/blockquote]

Prejuízo às exportações
A negligência com a proteção da Amazônia — ou mesmo a decisão de desproteger a floresta—é fruto de uma compreensão estreita e atrasada, avalia o senador paraense Paulo Rocha (PT). “É possível conciliar desenvolvimento econômico e preservação do meio ambiente”, lembrou ele, em pronunciamento ao Plenário.

Paulo Rocha alertou para os prejuízos econômicos que o País poderá sofrer em decorrência do desleixo com a floresta e o estímulo às queimadas. O despreparo de Bolsonaro, que debocha das preocupações dos líderes mundiais, já suscita boicotes às exportações brasileiras, destacou o senador.

Rocha lembrou os avanços ambientais alcançados durante os governos do Partido dos Trabalhadores, quando desmatamento da Amazônia foi reduzido, com reconhecimento da ONU, e houve aumento das áreas de extensão ambiental no País, em mais de 50%.

Os feitos dos governos petistas são tão relevantes que o governo Bolsonaro se apropriou dos números conquistados nas administrações Lula e Dilma para usar como argumento em defesa de sua política ambiental em circular expedida aos principais postos diplomáticos brasileiros no exterior.

Liberar a mineração
A mesura ambiental/diplomática feita com o chapéu petista não apaga as reiteradas declarações de Bolsonaro nas quais o verde da Amazônia é tratado como um entrave para a disseminação dos garimpos na região.

Em outubro de 2018, os jornalistas David Biller e R.T Watson, da agência de notícias norte-americana Bloomberg, especializada em economia, já chamava a atenção para “o desejo de Bolsonaro de liberar o potencial de mineração da Amazônia”.

“Setor do Norte”
Na época, Bolsonaro estava a dias de ganhar o segundo turno da eleição presidencial, fato celebrado por Elton Rohnelt, “que fundou algumas mineradoras durante a ditadura militar no Brasil, de 1964 a 1985”, revelava a reportagem da Bloomberg, reproduzida pela Folha de S. Paulo. “Olha, a gente está esperando há 30 anos”, disse Rohnelt.

“O setor mineral do Norte está todo aguardando que o governo brasileiro com Bolsonaro regulamente a situação”, completou o minerador. Rohnelt é o mesmo que em junho de 2018 foi flagrado tentando aliciar tribos indígenas para a exploração ilegal de tantalita em reservas da Amazônia, como mostrou uma reportagem da Folha de S. Paulo. Na época, ele era assessor do presidente Michel Temer.

Repercussão internacional
A noite precoce que desceu sobre São Paulo na última segunda-feira espantou o planeta. Os principais jornais europeus e norte-americanos estamparam manchetes assombradas sobre o efeito das queimadas na Amazônia. “O Brasil reza pelo pulmão do mundo”, resumiu o francês Le Figaro.

O fenômeno em São Paulo decorreu do aprisionamento da fumaça soprada desde Rondônia, onde a mata ardia, sob a massa de ar polar de uma frente fria que chegava à maior metrópole brasileira.

Brasil vive crise ambiental gravíssima patrocinada pelo discurso incendiário de Bolsonaro contra a Amazônia.

Brasil vive crise ambiental gravíssima patrocinada pelo discurso incendiário de Bolsonaro contra a Amazônia.

Publicado por Humberto Costa em Quinta-feira, 22 de agosto de 2019

 

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“O pulmão do planeta tomado pela fumaça”: imprensa francesa repercute incêndios na Amazônia

The Economist: Forest fires in the Amazon blacken the sun in São Paulo
(Incêndios na Amazônia obscurecem o sol em São Paulo)

The Washington Post:  As the world’s most precious forest burns, Brazil’s president is ignoring the crisis
(Enquanto a floresta mais preciosa do planeta queima, o presidente do Brasil ignora a crise)

Diário de Notícias (Portugal): Amazónia a arder. “Quer que eu culpe os índios, marcianos?”, diz Bolsonaro

“Brasil reza pela floresta amazônica”, destaca Le Figaro

Deutsche Welle: ONGs rebatem fala de Bolsonaro sobre queimadas

Deutsche Welle: “Queimadas mostram que desmatamento está aumentando

The Guardian: Jair Bolsonaro claims NGOs behind Amazon forest fire surge – but provides no evidence
(Bolsonaro alega que ONGs estão por trás dos incêndios na floresta — mas não apresenta provas)

The Independent: ‘The final judgement is coming’: Worst rainforest fires in history sees Brazilian city fall dark at 3pm because sun cannot breach thick smoke clouds
(Juízo Final: anoitece em cidade brasileira as três da tarde porque o sol não consegue atravessar a nuvem provocada pelo pior incêndio florestal da história)

The New York Times: Fires in Amazon Rain Forest Have Surged This Year
(2019 tem onda de queimadas na Amazônia)

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