Perseguição e desumanidade

Mensagens revelam postura hedionda de procuradores

Defesa do ex-presidente ingressa com habeas corpus no STF; mensagens confirmam “evidente parcialidade, perseguição e desvios funcionais deles contra Lula e sua família”
:: Cyntia Campos27 de agosto de 2019 12:36

Mensagens revelam postura hedionda de procuradores

:: Cyntia Campos27 de agosto de 2019

Os advogados do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ingressaram com um habeas corpus no Supremo Tribunal Federal pedindo que seja declarada a suspeição dos procuradores de Curitiba que atuam na operação Lava Jato. A defesa aponta a confirmação da já denunciada “evidente parcialidade, perseguição e desvios funcionais deles contra Lula e sua família”.

A postura de facção assumida pelos procuradores é flagrante nas mensagens divulgadas nesta terça-feira (27) na reportagem Procuradores da Lava Jato ironizam morte de Marisa Letícia e luto de Lula, do jornal Folha de S. Paulo, publicada nesta terça-feira (27).

Zombaria da morte
Em um chat do aplicativo Telegram, os agentes públicos integrantes da Lava Jato zombam da morte de Marisa, companheira de Lula por 44 anos, sugerindo que se tratasse de “eliminação de testemunhas”. Marisa morreu em fevereiro de 2017, aos 67 anos, vítima de um acidente vascular cerebral.

“Querem que eu fique pro enterro?”, debochou a procuradora Jerusa Viecili ao ler a notícia no chat dos procuradores. A ausência de humanidade se repetiu na morte do irmão mais velho de Lula, Vavá, em 29 janeiro deste ano, e na do neto Artur, de sete anos de idade, pouco mais de um mês depois, em 1º de março.

[blockquote align=”none” author=”Senador Humberto Costa (PT-PE), líder da Bancada do PT no Senado”]“Que tipo de gente é essa? Como pode faltar a procuradores da República o mínimo de respeito à dignidade humana? Que vergonha! Que lixo humano o Ministério Público Federal tem abrigado”[/blockquote]

“Queria passear”
“Mimimi”, “vitimização” e “uso político” são algumas das expressões usadas pelos procuradores para fazer chacota das manifestações de luto de Lula. O ex-presidente teve negado o direito de deixar a prisão para comparecer ao velório do irmão Vavá — “O safado só queria passear”, caçoou o procurador Januário Palumbo.

Quando Artur morreu, vítima de infecção generalizada, a procuradora a procuradora Jerusa Viecili volta a escarnecer: “Preparem para nova novela ida ao velório”.

Lixo humano
“Que tipo de gente é esse? Como pode faltar a procuradores da República o mínimo de respeito à dignidade humana? Que vergonha! Que lixo humano o Ministério Público Federal tem abrigado”, indignou-se o líder do PT no Senado, Humberto Costa, ao ler as revelações da reportagem da Folha.

“O comportamento contra Lula foi hediondo. As condenações precisam ser anuladas”, defende o senador.

“Espero que os facínoras da Lava Jato tenham um dia de humildade e peçam desculpas a Lula e ao povo brasileiro por tanta desumanidade e por enganar a sociedade com tanto ódio contra o PT reagiu o senador Rogério Carvalho (PT-SE), frisando que facínora é quem comete crimes de maneira cruel e perversa.

Diálogos repulsivos
Para o senador Humberto, é “deprimente ver tanta perversidade” no comportamento de quem integra uma das instituições mais importantes ao Estado Cidadão. “Os diálogos sobre a família de Lula são repulsivos, uma afronta à dignidade humana”.

A presidenta nacional do PT, deputada federal Gleisi Hoffman, também repudiou desumanidade dos procuradores da Lava Jato: “Não bastasse o sofrimento causado a toda família de Lula pela forma como foram investigados, expostos, humilhados, o que sem dúvida levou a morte de dona Marisa, essa turma ainda se dava ao direito de chamar de mimimi a dor de luto do Lula. A quem responderão?”, cobrou ela em uma postagem no Twitter.

Leia mais:

Força, Lula: morreu Arthur, sete anos, neto do ex-presidente
“Não deixaram que me despedisse do Vavá por pura maldade”
O adeus a Dona Marisa Letícia Lula da Silva

Leia também