Direitos Humanos

Indígenas são reprimidos e impedidos de entrar no Senado

Batalhão de Choque da PM retira índios das proximidades do Congresso. Eles iriam participar de reunião da Comissão de Direitos Humanos do Senado
:: Carlos Mota26 de abril de 2017 17:31

Indígenas são reprimidos e impedidos de entrar no Senado

:: Carlos Mota26 de abril de 2017

Após sofrerem ontem com bombas de gás lacrimogênio e balas de borracha, indígenas foram novamente reprimidos nesta quarta-feira (26): um Batalhão de Choque da Polícia Militar atuou de forma violenta contra lideranças dos povos tradicionais. Eles tentavam participar de audiência na Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado Federal.

A presidenta da CDH, Regina Sousa (PT-PI), repudiou os novos atos abusivos. “Me preocupa é o método. A repressão aos movimentos está chegando aos limites da ditadura militar”, denunciou. A truculência acabou alterando o local da reunião do colegiado: originalmente prevista para acontecer no Senado, a audiência foi transferida para o Acampamento Terra Livre, ao lado do Teatro Nacional, em Brasília. Assista a fala da senadora Regina no acampamento:

Do plenário, senadoras do PT também criticaram o uso da força contra indígenas desarmados. “Esse Batalhão da Polícia Militar chegou a prender uma pessoa que estava filmando, não era nem um índio, não deixou que os índios entrassem e os foram conduzindo para fora das dependências do Congresso”, criticou a líder do partido na Casa, Gleisi Hoffmann (PR).

“Engraçado que se estiver de terno e gravata, podem entrar no Senado 100, 200, como aconteceu hoje pela manhã na Comissão de Constituição e Justiça [que votou o projeto sobre abuso de autoridade]. Agora, para a Comissão de Direitos Humanos, estavam limitados a 30, 50. Um absurdo. Isso aqui é a Casa do Povo”, emendou Gleisi.

Da entrada do Senado, Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) filmou a mobilização policial que impediu a entrada de indígenas.

Assista:

Reunião com senadores

Também nesta quarta, representantes de povos indígenas das cinco regiões do Brasil se reuniram na Liderança do PT no Senado, em Brasília. Questões como a violenta repressão de terça-feira (25) e a demarcação de terras indígenas estiveram na pauta – inclusive com elogios e críticas aos governos Lula e Dilma em relação a este tema.

“Reconhecemos erros no nosso governo. Mas tivemos acertos em todas as áreas. Inclusive, em reunião nesta semana de indígenas com o ex-presidente Lula, foi dito que 1.800 [índios] tiveram a oportunidade de fazer doutorado. Houve avanços e conquistas importantes. […] Nós podemos ter errado no governo, o PT pode ter errado em um monte de coisa, mas não mudamos de lado. Nós não traímos a classe trabalhadora e os povos tradicionais”, destacou o senador Paulo Rocha (PT-PA).

Gleisi lembrou que o governo petista conseguiu colocar em evidência a pauta indígena, mesmo não sendo possível atender a todas as reivindicações. “Lula colocou a pauta indígena sob a luz do dia. Colocou a negociação na mesa. Mas não é fácil. Como você muda a história de 500 anos em 13 anos? Não é possível”, disse a parlamentar.

Já a presidenta da Comissão de Desenvolvimento Regional do Senado (CDR), Fátima Bezerra (PT-RN), disse que o Partido dos Trabalhadores está junto com os povos tradicionais para barrar os retrocessos promovidos pela gestão Temer e zelar pela cidadania das comunidades. “Os povos indígenas precisam de mais assistência, saúde, educação e sustentabilidade dos territórios. Este Congresso não tem autoridade moral e nem política para aprovar leis que ferem a cidadania do povo brasileiro”, completou.

Entre as conquistas do governo Lula para os povos tradicionais, está a homologação, em 2005, da terra indígena Raposa do Sol, com mais de 1,7 milhão de hectares e onde vivem cerca de 20 mil índios.

Veja como foi a reunião: