Senado

Contra cortes na área social, Jaques Wagner é eleito em 1º na Bahia

Ex-governador ainda tem como plataforma revogar a reforma trabalhista e igualar salários entre homens e mulheres
:: Carlos Mota8 de outubro de 2018 11:35

Contra cortes na área social, Jaques Wagner é eleito em 1º na Bahia

:: Carlos Mota8 de outubro de 2018

O ex-governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), foi eleito em primeiro lugar na disputa por duas vagas ao Senado pelo Estado, nesse domingo. Ao todo, o petista recebeu a confiança de 4.253.331 eleitores, o que representa 35,71% dos votos válidos.

“Podem ter certeza de que trabalharei muito no Senado para honrar a confiança que o povo baiano mais uma vez depositou em nosso time”, disse, em postagem no Facebook.

Na noite de domingo, após a consolidação da vitória, Wagner afirmou que quer um governo que foque na união pelo crescimento do País. “Não quero um governo que fale de guerra civil, de mau trato. A bala não vai resolver nada”, disse.

Ele ainda aproveitou para parabenizar a reeleição de Rui Costa como governador da Bahia. Costa recebeu expressivos 75,5% dos votos válidos. “O peso do PT nordestino aumenta a cada dia”, disse Wagner.

O petista assumirá no dia 1º de fevereiro de 2019 como senador pela Bahia, mandato com duração até 31 de janeiro de 2027.

Defesa do social e da mulher

Entre as propostas que Jaques Wagner defenderá no Senado, estão o compromisso com a retomada da valorização do salário mínimo, revogar a reforma trabalhista, a luta contra o corte de gastos em programas sociais e igualar os salários de homens e mulheres na mesma função.

O petista lembra que os governos Lula e Dilma garantiram a valorização do salário mínimo durante 13 anos de gestão. Com isso, o valor saltou de R$ 240 em 2003 para R$ 880 em 2016 – alta de R$ 640 no período.

“Já o governo que assumiu após um impeachment sem crime e sem provas fixou o mínimo em 2017, 2018 e 2019, levando o valor dessa remuneração para apenas R$ 1.006, ou R$ 126 a mais”, critica Wagner.

Falando em salário, ele ainda defende a igualdade salarial entre homens e mulheres que exercem a mesma função. Atualmente, no Brasil, a classe trabalhadora feminina recebe 75% dos proventos dos homens mesmo com uma escolaridade média maior.

Sobre a reforma trabalhista, que virou lei em novembro de 2017, o petista atuar no sentido de revogar as normas que tornam a CLT sem efeito.

Outra frente é derrubar a lei que congelou os gastos públicos por 20 anos. Segundo Wagner, os programas sociais estão comprometidos devido a essa norma, que também afeta serviços como hospitais e pesquisas.

Conheça o seu novo senador

Casado, pai de três filhos, Jaques Wagner tem um enteado e sete netos. Filho de imigrantes judeus poloneses, ele nasceu a 16 de março de 1951, no Rio de Janeiro. Ex-técnico de manutenção no Polo Industrial de Camaçari, Wagner começou o curso de Engenharia Civil da PUC-Rio.

Wagner começou sua luta pelas causas sociais, em favor da democracia no diretório acadêmico do curso de engenheira, de onde foi obrigado a sair por perseguição da Ditadura Militar.

Muda-se para Salvador, onde morou no Subúrbio Ferroviário. No polo, intensificou a batalha pelos direitos dos trabalhadores. Foi diretor e presidente do Sindiquímica-BA. Em um congresso de petroleiros conheceu Luiz Inácio Lula da Silva, de quem é amigo pessoal e parceiro de lutas políticas há mais de 35 anos. Wagner foi fundador do Partido dos Trabalhadores na Bahia, tendo sido seu primeiro presidente. Também fundou a CUT-BA, sendo seu primeiro líder.

Wagner foi eleito deputado federal pela primeira vez em 1990 – sendo reeleito seguidamente em 94 e 98. Ele atuou na campanha em 2002 que tornou Lula o primeiro líder dos trabalhadores a se eleger presidente da República. Nesta gestão, foi Ministro do Trabalho, da Secretaria Especial do Conselho Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social e de Relações Institucionais, nos quais se destacou nacionalmente pela sua habilidade política.

Em 2006, deixou o governo federal para concorrer ao governo da Bahia, vencendo o pleito no primeiro turno com 3.242.336 votos. Foi reeleito em 2010, também em primeiro turno, com um número ainda mais expressivo: 4.101.270 votos.

A atuação no governo baiano foi pautada no investimento na área social e em infraestrutura, segurança, extensão rural, moradia e combate ao desemprego. Ele ainda foi responsável pela retomado das obras do metrô de Salvador, projeto que nem havia chegado à metade da linha 1 nos 13 anos anteriores. Com a parceria público privada firmada no segundo governo, os 12 quilômetros iniciais foram concluídos, bem como a ligação do Acesso Norte ao aeroporto.

Após o fim do mandato como governador, Wagner não apenas elegeu seu sucessor em primeiro turno (Rui Costa) como foi ministro da Defesa e, posteriormente, ministro da Casa Civil durante o segundo mandato do governo Dilma Rousseff – interrompido após o golpe de 2016.

Wagner também reforça a mobilização social pela liberdade do ex-presidente Lula, o primeiro preso político do país após o fim da ditadura.

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