Abuso de autoridade

Jorge Viana denuncia confinamento de Lula

Senador afirma que Brasil precisa se reencontrar. E adverte: “País não pode ser um Coliseu romano, onde todo dia alguém tem que ser executado”
:: Assessoria do senador Jorge Viana27 de abril de 2018 10:26

Jorge Viana denuncia confinamento de Lula

:: Assessoria do senador Jorge Viana27 de abril de 2018

O senador Jorge Viana (PT-AC) subiu à tribuna do Senado nesta quinta-feira, 26 de abril, para lamentar a situação que o país vive com a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Quero me me somar aos artistas, aos movimentos sociais, às pessoas que têm bom senso neste país e que reconhecem esse ato arbitrário feito em nome da lei”, disse. “Está cada dia mais evidente que é uma grande injustiça a prisão do presidente Lula”.

O parlamentar denunciou que o ex-presidente vive um confinamento na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, impedido de ver o médico, parlamentares e amigos. “Isso é um abuso de autoridade, é uma injustiça, é uma espécie de tortura que fazem contra o presidente, uma tortura psicológica”, discursou.

Segundo o senador, está claro que há uma combinação de parte do Judiciário – “uma parte pequena, é verdade” – que estaria disposta a praticar um “justiçamento” do ex-presidente da República. “Não há precedente para isso em uma democracia, em um Estado democrático de direito”, denunciou. “Lamentavelmente, segmentos radicalizados da sociedade querem que o Brasil siga numa espécie de Coliseu romano, onde todo dia alguém tem que ser executado”.

Jorge Viana lembrou que é preciso construir “um grande consenso nacional”, para que o país possa superar as suas dificuldades. “Tudo o que foi feito até aqui em nome do combate à corrupção, em nome de buscar outro ambiente para a sociedade brasileira está dando errado”, advertiu.” O número de miseráveis, de pobres no Brasil dobrou, o desemprego atinge 13 milhões de pessoas, o patrimônio brasileiro está sendo dilapidado por um governo que não passou nas urnas”.

“Ninguém quer o presidente Lula tendo um tratamento acima da lei ou abaixo da lei, mas foi o próprio juiz que disse que ele estaria nessa cela, nesse isolamento porque é um ex-presidente”

Senador Jorge Viana (PT-AC)

Ele comentou que, a cada dia, fica claro os resultados do golpe parlamentar que tirou Dilma Rousseff da Presidência da República em 2016. “Está caindo a ficha, porque, em toda pesquisa que se faz, o único líder lembrado é o presidente Lula, com ampla maioria”, disse. “E aí, exatamente ele, que pode pacificar o país, que pode atender ao clamor da maioria dos brasileiros, é escolhido para sofrer essa grande injustiça, essa verdadeira caçada”.

Viana disse que é estarrecedor que a Justiça Federal tenha impedido a visita de um Prêmio Nobel da Paz a Lula. “Ninguém quer o presidente Lula tendo um tratamento acima da lei ou abaixo da lei, mas foi o próprio juiz que disse que ele estaria nessa cela, nesse isolamento porque é um ex-presidente”, ressaltou. “Quem está fazendo o diferencial são aqueles que, se dizendo agir em nome da lei, estão agindo fora da lei”.

STF
Viana saudou a decisão da 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal, que decidiu na quarta-feira retirar das mãos da Justiça Federal do Paraná parte das citações sobre Lula contidas na delação da Odebrecht, já que não há conexão com as denúncias contra Petrobras. Mas estranhou as críticas de setores da imprensa. “A 2ª Turma fez exatamente aquilo que a Constituição aponta, mas vem sofrendo críticas daqueles que, há pouco tempo, elogiavam qualquer ato de justiçamento, de falso moralismo que viesse em decorrência dessa verdadeira marcha da insensatez que o país vive”, disse.

“Sigo acreditando que o Supremo Tribunal já, já possa corrigir esse abuso de autoridades de pessoas que, por interesse político-partidário, por interesse de uma ideologia de ódio, de intolerância, fizeram do presidente Lula um inimigo de suas canetas, de suas decisões e cometeram uma injustiça que a história haverá de registrar”, concluiu. “Não tenho dúvida. A história será implacável com esses falsos moralistas, justiceiros, que, lamentavelmente, hoje viraram referência no nosso país”.

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