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Lula não está preocupado com ele, mas com o futuro do Brasil e da democracia

Onze senadores e senadoras realizaram diligência em Curitiba para verificar as condições carcerárias de Lula
Lula não está preocupado com ele, mas com o futuro do Brasil e da democracia

Foto: Ricardo Stuckert

O homem que está confinado a uma cela de 15 metros quadrados na sede da Polícia Federal de Curitiba está longe de estar derrotado. “Tenho consciência de que estou aqui porque trabalhei pela ascensão dos pobres do Brasil”, avisa Luiz Inácio Lula da Silva por meio dos 11 integrantes da Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado que na tarde desta terça-feira (17) realizaram uma diligência oficial para verificar as condições carcerárias a que está submetido o ex-presidente.

“Lula não está preocupado consigo, mas com o futuro do Brasil e da nossa democracia”, conta o líder da oposição no Senado, Humberto Costa (PT-PE), que encontrou o ex-presidente “sereno, forte e confiante na luta que vai garantir sua breve libertação”. Aos senadores, Lula reafirmou a disposição de ir às últimas consequências para provar sua inocência, motivo pelo qual se recusou a descumprir o mandado de prisão expedido em 5 de abril pelo juiz da Lava Jato, Sérgio Moro. “Ele está tranquilo, embora muito indignado”, relataram os integrantes da CDH.

 Diligência
A diligência da comissão foi realizada no início da tarde desta terça-feira. Antes de encontrarem o ex-presidente, os senadores vistoriaram a carceragem da Polícia Federal e conversaram com outros presos. O encontro com Lula durou cerca de 30 minutos. Eles consideraram as condições carcerárias “aceitáveis”, fato confirmado pelo próprio Lula, mas denunciaram o regime similar a uma solitária ao qual ele está submetido. Um relatório formal será apresentado ao Senado, com a sugestão de providências, como explicou a presidenta da CDH, Regina Sousa (PT-PI).

Na comitiva, além da  presidenta da CDH e de seu vice, João Capiberibe (PSB-AP), estavam de Fátima Bezerra (PT-RN), Gleisi Hoffmann (PT-PR), presidenta nacional do PT, Humberto Costa (PT-PE), José Pimentel (PT-CE), Lídice da Mata (PSB-BA), Lindbergh Farias (RJ), líder do PT no Senado, Paulo Paim (PT-RS), Paulo Rocha (PT-PA) e Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM).

“Gigante”
Os 11 senadores e senadoras destacaram o estado de ânimo de Lula. “Ele é um gigante. Nas condições em que está — preso, confinado — foi Lula que pegou no nosso braço, nos animou, nos transmitiu coragem”, narra o líder petista Lindbergh Farias. Fátima Bezerra contou que ao vê-la com os olhos marejados, o presidente foi enfático: “Não vai ter choro”.

Os senadores destacaram o papel cumprido pela vigília cívica mantida pelos Acampamento Lula Livre, onde militantes prestam solidariedade ao ex-presidente desde sua chegada à sede da PF, a 10 dias. “Vocês são guerreiros, disse Lindbergh aos acampados. “Saibam que ele ouve as manifestações e se fortalece com elas”.

Preocupação
A serenidade de Lula é típica de quem conhece seu lugar na História, ressalta a presidenta do PT, Gleisi Hoffmann. “Ele sabe o papel que cumpre neste País”. A senadora, porém, manifestou preocupação com o resultado do confinamento do ex-presidente, de 72 anos. Ela voltou a criticar o descumprimento da Lei de Execuções Penais, que assegura aos presos o direito de receber não só advogados e familiares próximos, mas também parentes e amigos, o que vem sendo negado pela juíza encarregada de autorizar as visitas. “O que está acontecendo é uma flagrante violação aos direitos humanos”.

Na semana passada nove governadores de diversos partidos e três senadores—Gleisi, Lindbergh e Roberto Requião (PMDB-PR) foram impedidos de se encontrar com Lula. Na mesa da juíza aguardam pedidos de visita de personalidades como o Prêmio Nobel da Paz Adolfo Pérez Esquivel, o ex-presidente do Uruguai Pepe Mujica.

Arrombamento
Gleisi confirmou que nesta madrugada um carro da assessoria de Lula foi arrombado em Curitiba. Além de mudas de roupa e roupa de cama que seriam levadas pela manhã ao ex-presidente, também foi levada uma pasta com documentos—inclusive o passaporte de Lula—e talões de cheques.

“A Secretaria de Segurança Pública do Paraná e a Secretaria Especial de Segurança Pública do governo federal precisam urgentemente esclarecer esse caso. Foi casual? Foi direcionado? Estamos muito preocupados”, afirmou a presidenta do PT.

Veja a íntegra da coletiva e da manifestação no acampamento:

https://www.facebook.com/PTnoSenado/videos/1657375014340661/

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