Marcelo Freixo mostra que o golpe não teve nada a ver com combate à corrupção

:: Da redação24 de maio de 2016 15:24

Marcelo Freixo mostra que o golpe não teve nada a ver com combate à corrupção

:: Da redação24 de maio de 2016

Em artigo, colunista político afirma: “a manobra é um golpe tramado por um conluio entre a elite política e econômica que teve suas negociatas ameaçadas”Não foi uma ação para combater a corrupção. Longe disso. Para o colunista Marcelo Freixo, da Folha de S.Paulo,  os trechos da conversa entre o ex-ministro golpista Romero Jucá e seu correligionário Sérgio Machado mostram o que os petistas já denunciam há semanas: o golpe não teve nada a ver com o combate à corrupção.

Em artigo publicado nesta terça-feira (24), Freixo diz textualmente: “A manobra é um golpe tramado por um conluio entre a elite política e econômica que teve suas negociatas ameaçadas”. E prossegue: “A velha oligarquia quer reorganizar seus interesses, impor uma agenda de privatizações e estancar a sangria provocada pela Lava Jato.”

O colunista considera morta o que chama de “República Romérica”. E pede novas eleições, se não houver como evitar o afastamento definitivo da presidenta eleita, Dilma Rousseff.

 

Leia a íntegra do artigo:

República Romérica

Para mudar o governo e estancar essa sangria. Para salvar a classe política. Por Michel, que também é Eduardo Cunha. Para não sermos comidos numa bandeja. Por um boi de piranha que nos permita chegar à outra margem. Por um pacto nacional para deter a Lava Jato.

Os trechos da conversa gravada entre o ministro do Planejamento e braço direito de Michel Temer, Romero Jucá, e o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado (PMDB), divulgada nesta segunda (23) pela Folha, mostram que o impeachment da presidente Dilma Rousseff não teve nada que ver com o combate à corrupção.

A manobra é um golpe tramado por um conluio entre a elite política e econômica que teve suas negociatas ameaçadas. A velha oligarquia quer reorganizar seus interesses, impor uma agenda de privatizações e estancar a sangria provocada pela Lava Jato.

Muitos dos que lutaram pela derrubada de Dilma e apoiam o governo golpista de Temer, constrangidos com os primeiros dias da gestão peemedebista, silenciam ou defendem que o afastamento imediato de Jucá resolveria a polêmica. A conclusão é mais cínica do que a entrevista coletiva do ministro na manhã desta terça (23).

O diálogo é gravíssimo porque revela que o então senador e presidente do PMDB articulou a queda da presidente da República para impedir o andamento das investigações da Lava Jato.

No fim do ano passado, também após o vazamento da gravação de uma conversa sobre a situação de Nestor Cerveró, o senador Delcídio do Amaral foi preso sob a acusação de tentar obstruir o trabalho da Justiça.

As panelas não soaram quando Temer anunciou um ministério formado por 11 homens envolvidos na Operação Lava Jato. O Hino Nacional não foi entoado quando o presidente golpista escolheu como líder do governo na Câmara André Moura (PSC-SE), que responde a três ações penais no STF e é suspeito de tentativa de assassinato. Será que agora haverá brados contra a corrupção diante de mais um escândalo Romérico?

Mais do que uma farsa, o episódio evidencia a fragilidade do sistema democrático e a falência do parlamentarismo de extorsão da Nova República. Jucá, que diz ser o construtor de um governo de salvação nacional, é um personagem representativo da degradação do governismo pós-ditadura: ocupou cargos chave nos governos Sarney, FHC, Lula e Dilma.

A República Romérica de Michel Temer nasceu morta e sem legitimidade. Se o impeachment for confirmado, a única saída é convocar novas eleições e ampliar as mobilizações em torno de uma agenda de profundas reformas que freiem a influência do poder econômico nos sistemas político e eleitoral e os democratizem.

 

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