Na CPMI palanque, imprensa se incomoda quando depoente acusa erro

Humberto: “As perguntas são as mesmas. As respostas de esclarecimentos não podem ser diferentes das que já foram dadas”Por mais de quatro horas, a CPI mista composta por deputados e senadores ouviu, nesta quarta-feira (25), pela quarta vez só neste ano, o ex-presidente da Petrobras José Sérgio Gabrielli falar sobre a compra da refinaria de Pasadena no Texas, Estados Unidos.  A oposição repetiu seu espetáculo ao fazer acusações vazias e questionar o negócio feito em 2006 que é objeto de diversas investigações por órgãos federais de controle. A imprensa, que na última reunião foi orientada pelo histriônico deputado Fernando Francischini (SDD-PR) sobre as perguntas que gostaria de responder, na reunião desta quarta-feira não foi muito diferente. Francischini acusou a direção da Petrobras, o governo e o PT, num verdadeiro discurso.

:: Da redação24 de junho de 2014 12:05

Na CPMI palanque, imprensa se incomoda quando depoente acusa erro

:: Da redação24 de junho de 2014

Quem está acompanhando a tentativa da oposição de transformar a CPI mista da Petrobras num palanque para fazer um debate político-eleitoral sabe como é a estratégia. Os deputados da oposição fazem perguntas ao depoente e logo em seguida articulam entrevistas para redes de tevê, na expectativa de aparecer em algum jornal. Afinal, procuram ficar conhecidos já que quase todos vão enfrentar as urnas em outubro na tentativa de renovar os mandatos de deputado federal, como Francishini e seus colegas de oposição Rubens Bueno (PPS-PR), Antonio Imbassahy (PSDB-BA) e Mendonça Filho (DEM-PE). Esse deputado do ex-PFL, aliás, quando fez suas perguntas quis saber se Gabrielli elogiou um ex-diretor da companhia que foi substituído. Sobre o negócio em si, só acusações com o intuito de jogar para a plateia de jornalistas.

E o que deixou a imprensa muito incomodada, principalmente os integrantes da equipe da TV Globo, foi a declaração de Gabrielli de que muito do que se lê nos jornais são informações erradas. Não foi a primeira vez que o ex-presidente da Petrobras afirmou isso. Uma repórter da tevê reagiu à declaração e disse a seus colegas, em tom ameaçador, as seguintes palavras: “Ah é? Então ele vai ver uma coisa”. Esse é o clima da CPI mista.

O líder do PT no Senado, Humberto Costa (PT-PE), ao sair da sala para ir embora, atendeu aos pedidos dos repórteres para dar uma entrevista, transcrita abaixo da forma que as perguntas foram feitas:

TV Globo – Como o senhor encara essa vinda hoje do ex-presidente da Petrobras. Queria saber do senhor sobre as críticas da oposição de que ele (Gabrielli) estaria meio que blindado, se recusando a responder perguntas?

Humberto Costa – Não. De forma alguma. Ele está vindo ao Congresso pela quarta ou quinta vez. As perguntas são as mesmas. As respostas de esclarecimentos não podem ser diferentes das que já foram dadas. As críticas da oposição não variam e, como sempre, é uma tentativa de requentar alguns temas que já foram explicados à exaustão e de fazer um embate político cujo objetivo é claramente eleitoral. Então, acho que não está acrescentando nada ao que já se investigou; ao que já é de conhecimento público. Creio que foram devidamente respondidas todas as questões.

TV Globo – A oposição está tentando fazer espetáculo?

Com pouca criatividade e com pouco talento. Até as tentativas de atos histrionistas são muito pobres e acredito que não vão conseguir o objetivo, porque esse é um assunto que já foi exaustivamente investigado pelos órgãos de controle, de fiscalização e de investigação. O papel da CPI passa a ser absolutamente secundário. O que a CPI deveria estar fazendo é se debruçar sobre os documentos que já foram objeto da investigação para tentar identificar alguma coisa nova onde a capacidade de investigação do Congresso pudesse contribuir para deixar mais claros alguns desses fatos. Mas o que está se fazendo aqui é apenas a repetição daquilo que já foi questionado. Então, perde um pouco a graça.

Repórter de rádio – É perda de tempo?

Eu não diria que é perda de tempo porque de toda a sorte que as pessoas, muitas delas foram objeto de acusações, podem aqui esclarecer. Vários temas que não foram bem tratados ou aprofundados, seja pelo Parlamento, seja pela mídia, podem ser melhor aprofundados. Agora não se traz grande novidade.

Logo em seguida, o deputado Marco Maia (PT-RS), que é o relator da CPI mista, também atendeu aos pedidos de entrevista dos repórteres e falou sobre a reunião. “Hoje, infelizmente, o que nós assistimos aqui foram muitos discursos e pouca investigação. Nós já ouvimos o Gabrielli diversas vezes e o que precisamos é aprofundar as investigações e analisar as documentações que já chegaram”, disse ele.

Uma repórter da TV Globo perguntou sobre os requerimentos que devem ser votados. “A oposição disse que houve um esvaziamento na tentativa de adiar a votação na semana passada”. O relator, por sua vez, observou que isso não era verdade, até porque parlamentares de todas as matrizes ideológicas faltaram. “Inclusive aqueles mais aguerridos da oposição não estavam na semana passada. Eu falo porque aqui estava. Não é requerimento que nós temos que aprovar porque nós temos mais de 200 aprovados. O que precisamos é nos dedicar à análise dos documentos para fazer oitivas mais produtivas”, afirmou.

De acordo com o novo dicionário Aurélio, histriônico vem da palavra histrião, que quer dizer farsista, comediante, cômico, bufão, palhaço, bobo. 

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