Narrativa do golpe foi trazida por Romero Jucá, presidente do PMDB, diz Viana

:: Da redação23 de maio de 2016 22:12

Narrativa do golpe foi trazida por Romero Jucá, presidente do PMDB, diz Viana

:: Da redação23 de maio de 2016

Viana: a conversa entre eles torna público que houve um golpeEm discurso na tarde desta segunda-feira (23), o vice-presidente do Senado, Jorge Viana (PT-AC), afirmou que é gravíssimo o teor da conversa entre o ministro do Planejamento, senador Romero Jucá (PMDB-AC), e o ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, em que arquitetam uma maneira de abafar a Operação Lava Jato. Para Jorge Viana, o presidente interino Michel Temer deveria mostrar que tem o poder da caneta afastando Jucá. “A conversa entre eles torna público que houve um golpe”, denunciou.

Viana observou que os dois, em nenhum momento, discutiram o impeachment da presidenta Dilma Rousseff ou se ela teria cometido crime de responsabilidade fiscal. “Não existe essa palavra, o que existe é a Lava Jato, controlar o Supremo, controlar o MST”, disse, acrescentando “que quem trouxe a narrativa do golpe não foi o PCdoB, não foi o PT, não foi nenhum jurista. A narrativa do golpe foi trazida por Romero Jucá. Eu acho muito grave”.

Na avaliação do senador, esse episódio contribui para o entendimento de que o sistema político brasileiro faliu, por meio do financiamento de campanha. “Uma coisa é ter financiamento de campanha, é ter financiamento partidário. Outra coisa é ter uma situação de propineiros, negociação de contratos, ter uma situação de cobrança de propina e de chantagem”, disse.

Jorge Viana considera que a crise política é muito ruim para a democracia e para o País como um todo. Prova dessa crise, segundo ele, foi a manifestação do pastor Silas Malafaia nas redes sociais – Malafaia defendeu com  unhas e dentes o impeachment de Dilma e tem fixação em acusar o PT de qualquer coisa – ao dizer, agora, que Jucá não reúne condições de ficar no ministério. Outro exemplo dessa situação crítica é a censura existente hoje no Brasil, porque o governo golpista que tomou conta do Palácio do Planalto não permite que haja pesquisas feitas pelo Datafolha e pelo Ibope.

Meta fiscal

Enquanto o senador estava na tribuna fazendo seu discurso, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) recebia o interino Michel Temer e sua comitiva, formada por Romero Jucá, Henrique Meirelles, ministro da Fazenda, e vários deputados e senadores que apoiaram o golpe, para pedir a votação amanhã da nova meta fiscal do governo golpista. “Mas veja só. O interino foi recebido com vaias e elas não foram motivadas pelo PT, pelo PCdoB, foram as pessoas que não aprovam esse governo”, disse Viana.  As pessoas gritaram “Temer golpista” e “Jucá golpista”.

Por conta da pressão, Jucá deu entrevista e estava agressivo. Pela manhã, nas entrevistas para a CBN e Globo News, ficou evidente a tentativa desses veículos de aliviar a  barra do senador, mas assim que saiu do encontro na presidência do Senado – Viana ainda estava discursando – anunciou que irá se licenciar do Ministério do Planejamento. Pura retórica, porque não há como se licenciar. Ele deverá ser exonerado e retomar o mandato de senador para se defender. E precisará, porque o senador Telmário Mota (PDT-RR) já anunciou que amanhã apresenta uma representação pedindo a cassação do mandato de Jucá.

 

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