País em guerra

No pós-golpe, violência aumenta no campo e na cidade

Atlas da Violência e relatório Conflitos no Campo apontam números recordes de violência pelo País após o impeachment de Dilma
:: Rafael Noronha7 de junho de 2018 19:01

No pós-golpe, violência aumenta no campo e na cidade

:: Rafael Noronha7 de junho de 2018

O Brasil teve acesso, nesta semana, a dados estarrecedores relacionados a violência no campo e na cidade. Pela primeira vez na história o Brasil ultrapassou a marca de 30 assassinatos para cada 100 mil habitantes, segundo dados do Atlas da Violência 2018. Com relação ao campo, no ano passado, 71 pessoas foram assassinadas no território brasileiro em conflitos ligados à posse da terra e ao uso da água.

De acordo com o Atlas da Violência, estudo elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), com base em dados do Ministério da Saúde, o Brasil atingiu o número de 62.517 homicídios em 2016, o que equivale a 30,3 homicídios para cada 100 mil habitantes, um número 30 vezes maior que o da Europa, por exemplo.

“Isso tem de ter um basta. O País está exaurido, não aguenta mais”, disse o senador Humberto Costa (PT-PE), líder da Oposição, em plenário.

O perfil da vítima de homicídio no país é majoritariamente jovem, homem, negro e de baixa escolaridade. A taxa de jovens por 100 mil habitantes é de 65,5, com 33.590 assassinados em 2016, aumento de 7,4% em relação a 2015. Como retrato da desigualdade racial no país, o estudo mostra que, por ano, 71,5% das pessoas assassinadas são negras. No total, 324.967 mil jovens, entre 15 e 29 anos, foram vítimas de homicídio em 10 anos, ou seja, uma média de 90 jovens assassinatos por dia.

O senador Jorge Viana (PT-AC) criticou a ausência de soluções apresentadas pelo Congresso Nacional para o enfrentamento do problema e alertou para a necessidade de modernização do Código Penal.

“Os números passaram de qualquer limite. A população está com medo e está morrendo, as famílias estão se desinteirando. A maioria da população é jovem, pessoas pobres, pessoas que moram nas periferias, pessoas de cor. Vamos acender a luz vermelha, vamos parar o País, para discutir e socorrer a população, que está morrendo e pedindo socorro por conta da violência”, apontou.

No campo, a violência também se alastrado de forma assustadora. Desde 2003, a violência no campo no Brasil não era tão alta quanto foi no ano passado. Em 2003 foram registrados 73 assassinatos, enquanto em 2017 a estatística chegou em 71 pessoas mortas. O número (71) é 16,4% maior que em 2016, quando aconteceram 61 assassinatos, e quase o dobro de 2014, com 36 vítimas, segundo o relatório Conflitos no Campo Brasil 2017, lançado no início da semana (4) pela Comissão Pastoral da Terra (CPT).

Além do alto número de assassinatos no campo, o ano de 2017 também é marcado pela quantidade de massacres: foram cinco, com 31 vítimas, o que representa 44% do total de assassinatos em conflitos no campo. O relatório sobre conflitos no campo é realizado desde 1985. Na série histórica, desde 1988 não se registrava mais do que dois massacres no mesmo ano.

Para a presidenta da Comissão de Direitos Humanos (CDH), senadora Regina Sousa (PT-PI), os números não são nenhuma surpresa, já que o atual governo vem sistematicamente cortando recursos de políticas públicas que poderiam auxiliar no combate à escalada da violência.

“São números alarmantes de que todo mundo vai falar, hoje, amanhã, e depois a gente esquece. Aí, no ano que vem, sai um novo mapa e a gente torna a falar, porque parece que não sensibiliza, não comove, não desperta nenhum sentimento no sentido das políticas públicas. A gente precisa cuidar disso, ter políticas para isso que não sejam só o encarceramento”, defendeu.

 

Confira a íntegra do Atlas da Violência

Confira a íntegra do estudo Conflitos no Campo Brasil

Com informações de agências

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