Criticado por ambientalistas

Novo ministro do Meio Ambiente é aliado de ruralistas

Humberto: “tudo indica que nós teremos um governo retrógrado, medieval, obscurantista”
:: Rafael Noronha18 de dezembro de 2018 12:47

Novo ministro do Meio Ambiente é aliado de ruralistas

:: Rafael Noronha18 de dezembro de 2018

O novo ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles deve promover mudanças radicais numa área em que o Brasil é conhecido mundialmente pela sua liderança. O advogado e ex-secretário de Geraldo Alckmin (PSDB) é um homem afinado com os interesses do agronegócio e que deve atuar em sinergia com quem “quer trabalhar”, como têm anunciado com entusiasmo expoentes do setor.

Essa sinalização deve representar a retirada de entraves e o fim da “indústria de multas do Ibama” conforme promessa de campanha de Jair Bolsonaro (PSL).

Como um dos fundadores do Movimento Endireita Brasil (MEB) e apoiado por ruralistas, Salles já esteve nas manchetes graças a declarações polêmicas de apoio à ditadura e em defesa da pena de morte.

Entre outros processos sofridos, em 2017, Salles se tornou réu em uma ação civil do Ministério Público Estadual sob a acusação de participar de alteração ilegal do zoneamento do plano de manejo da Área de Proteção Ambiental da Várzea do Rio Tietê, para favorecer empresas ligadas à Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo).

“Quero eu estar errado, mas tudo indica que nós teremos um governo retrógrado, medieval, obscurantista, que ameaça tragar o Brasil para as trevas totais”, disse o líder da Oposição, senador Humberto Costa (PT-PE).

Durante a campanha eleitoral, o Jair Bolsonaro ganhou apoio da bancada ruralista do Congresso e se comprometeu com uma extensa agenda de retrocessos, ameaçando atacar áreas de florestas protegidas, diminuir a atuação do Ibama e aprovar leis como a que libera o uso descontrolado de agrotóxicos no Brasil, além de enfraquecer o licenciamento ambiental.

“Ao aceitar o cargo, o novo ministro parece realmente estar disposto a fazer o trabalho anti-ambiental que Bolsonaro prometeu na campanha, que é acabar com as áreas protegidas, diminuir o combate ao crime ambiental e liberar ainda mais o uso de agrotóxico no país”, afirmou ao jornal O Globo, o diretor de políticas públicas do Greenpeace, Márcio Astrini. O ambientalista acredita que o novo governo vai enfraquecer o ministério.

Criado em 1993, o Ministério do Meio Ambiente tem como missão formular e conduzir políticas públicas para o setor em todo o País. Isso significa proteger as florestas, os recursos hídricos, os ecossistemas, florestas e toda a biodiversidade do avanço de um modelo de agropecuária predatória, baseado no desmatamento para pastos e para a monocultura, dependente do uso de sementes transgênicas e de agrotóxicos.

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