Investigação

Operação envolvendo senador bolsonarista expõe ligação da direita com escândalo do Master

Investigações da Polícia Federal aponta esquema do ex-ministro de Bolsonaro com fraudes

Arte sobre foto de Lula Marques / Agência Brasil

Operação envolvendo senador bolsonarista expõe ligação da direita com escândalo do Master

Alegria do esquema Bolsomaster

A deflagração da 5ª fase da Operação Compliance Zero pela Polícia Federal, nesta quinta-feira (07/05), coloca o senador Ciro Nogueira (PP-PI) no centro de um dos mais graves escândalos financeiros recentes do país: o caso do Banco Master.

A operação impôs ao presidente nacional do Progressistas (PP) mandados de busca e apreensão e o bloqueio de R$ 18,85 milhões em bens. O episódio deixa claro o envolvimento de nomes relevantes da direita na fraude.

Herdeiro de uma oligarquia política piauiense, Ciro Nogueira manejou o uso de verbas orçamentárias em troca de apoio político ao ex-presidente Jair Bolsonaro, de quem foi ministro da Casa Civil. Assim, blindou o então presidente de processos de impeachment decorrentes dos desmandos na condução da pandemia, entre outras irregularidades.

Se na Casa Civil Ciro Nogueira controlava as chaves do cofre público, as investigações da Polícia Federal sobre o Banco Master revelam uma face ainda mais direta de captura do Estado para favorecimento de entes privados.

Conforme as primeiras informações da Polícia Federal, Ciro Nogueira seria um dos beneficiários de um robusto esquema de corrupção e lavagem de dinheiro arquitetado pelo banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

A PF aponta que Nogueira teria colocado a estrutura do seu mandato no Senado a serviço dos interesses de Vorcaro. O principal exemplo desse lobby explícito ocorreu em agosto de 2024, quando o senador apresentou uma proposta que ficou conhecida nos bastidores do mercado financeiro como a “emenda Master”.

A emenda visava elevar o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por depositante. Essa alteração legislativa beneficiaria diretamente o modelo de negócios do Banco Master, permitindo-lhe captar recursos de forma agressiva no mercado por meio de Certificados de Depósito Bancário (CDBs), oferecendo taxas elevadas com o risco totalmente blindado pelo fundo garantidor.

Além disso, a PF identificou a atuação do parlamentar em outros projetos de interesse do grupo econômico de Vorcaro, como um projeto que trata do Programa de Aceleração da Transição Energética, e outro sobre o mercado de créditos de carbono. Em troca, segundo trechos do inquérito policial, Ciro Nogueira receberia repasses mensais de R$ 300 mil, montante que, segundo os relatos, teria evoluído posteriormente para R$ 500 mil. Escutas revelaram intermediários discutindo o pagamento de contas pessoais de luxo do senador. O esquema incluía a disponibilização gratuita de imóveis de alto padrão, o custeio de viagens internacionais e operações societárias suspeitas realizadas com “expressivo deságio” para mascarar a lavagem do dinheiro.

O caso do Banco Master não isola Ciro Nogueira. A Operação Compliance Zero expõe uma rede mais ampla de conexões que envolvem o ecossistema financeiro e outras figuras influentes da direita e do chamado “Centrão”.

Para a líder do PT no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), a operação reforça a ligação do bolsonarismo com o esquema investigado pela Polícia Federal. “A operação de hoje deixa claro que o pai do escândalo do Banco Master é Jair Bolsonaro. O governador que tentou entregar o Banco de Brasília, o ex-ministro da Casa Civil, que foi cogitado vice de Flávio Bolsonaro, e todos os políticos que protagonizam esse escândalo são cúmplices históricos de Jair Bolsonaro. As investigações precisam avançar com rigor, garantindo o amplo direito de defesa e o devido processo legal, para que todos os fatos sejam esclarecidos perante a Justiça e o povo brasileiro.”

Em fases anteriores da mesma operação, a PF revelou esquemas de corrupção ativa e passiva envolvendo o Banco de Brasília (BRB). Sob comando do então governador bolsonarista do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), a instituição tencionava comprar o Master, o que transferiria para a sociedade os prejuízos decorrentes da atuação de Vorcaro. Depois de injetar R$ 16 bilhões na operação do Master, o BRB registrou um rombo de até R$ 8 bilhões.

Outro nome ligado ao bolsonarismo também facilitou os negócios de Daniel Vorcaro. O então governador do Rio de Janeiro, Claudio Castro, utilizou a carteira do Instituto de Previdência dos Servidores do Estado para adquirir títulos emitidos pelo Master sem lastro, gerando um prejuízo de R$ 2,5 bilhões.

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