Economia solidária

Paul Singer: um estudioso a serviço da melhoria da vida do povo

“Esquerda é, na verdade, a luta contra a desigualdade, a miséria, a morte desnecessária, a exploração”, afirmou Paul Singer em entrevista à Revista Brasileiros, em 2006
:: Cyntia Campos17 de abril de 2018 13:26

Paul Singer: um estudioso a serviço da melhoria da vida do povo

:: Cyntia Campos17 de abril de 2018

Um intelectual comprometido com a prática transformadora, um estudioso que colocou o rigor científico a serviço da melhoria da vida do povo. É assim que o Brasil vai recordar o economista Paul Singer, falecido na noite de segunda-feira (16), aos 86 anos. Professor, militante, fundador do Partido dos Trabalhadores, Singer foi o formulador do conceito de economia solidária e “deixa o exemplo da coerência política, da militância de esquerda, do caráter reto e do intelectual que nunca mudou de lado”, nas palavras da presidenta nacional do PT, senadora Gleisi Hoffmann.

Paul Singer foi fundamental na construção de uma das marcas dos governos petistas, um programa de desenvolvimento a partir do fortalecimento do mercado interno via distribuição de renda. Sempre contribuiu com as administrações e governos do PT, seja como secretário de Planejamento da Prefeitura de São Paulo, na gestão de Luiza Erundina, seja no plano federal, como titular da Secretaria Nacional de Economia Solidária do Ministério do Trabalho, nos governos Lula e Dilma.

“Esquerda é, na verdade, a luta contra a desigualdade, a miséria, a morte desnecessária, a exploração”, afirmou Paul Singer em entrevista à Revista Brasileiros, em 2006. Ele viveu o que pregou e ajudou a melhorar a realidade de milhões de compatriotas.

Esse grande brasileiro nasceu na Áustria, em 1932, e chegou criança ao Brasil, com a família, fugindo da perseguição nazista aos judeus na Europa. Antes de se formar em economia, trabalhou como metalúrgico. Foi um dos fundadores do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), Professor da Unesp e da Faculdade de Economia da USP. Seu conceito de economia solidária — modelo pautado pelo humanismo, a justiça social e cooperação mútua — é cada vez mais uma realidade para milhões de pessoas que praticam e se beneficiam do microcrédito, do comércio justo e do cooperativismo.

Repercussão
A morte de Paul Singer foi lamentada por progressistas de todo o País. “Paul Singer lutou a vida inteira por um Brasil com uma economia mais justa e solidária. Um exemplo de intelectual e brasileiro, que deixa saudade e o sonho de um país melhor. Nossos sentimentos para sua família, seus amigos e muitos admiradores”, reagiu o presidente Lula em mensagem postada por sua assessoria. “Ele fará muita falta para todos e todas que sonham com um Brasil melhor. Economista brilhante, intelectual militante, ser humano incrível”, afirmou o líder do PT no Senado, Lindbergh Farias (RJ). “Foi uma inspiração para todos nós militantes de esquerda”, reagiu o senador Paulo Rocha (PT-PA).

O deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP), um dos autores do projeto do Marco Regulatório da Economia Solidária, em tramitação na Câmara, anunciou que vai dar o nome do professor à legislação derivada da proposta. “Vai se chamar Lei Paul Singer da Economia Solidária”, declarou, em postagem no twitter. Marcio Pochmann,  economista, ex-presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e presidente da Fundação Perseu Abramo homenageou Singer citando uma de suas frases: “Economistas sempre acham o que querem achar: a diferença é que estudaram matemática e têm meios de enganar quem não sabe nem aritmética.”

O ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, ex-aluno de Singer, lamentou a perda do “mestre querido, uma das pessoas mais generosas que conheci” e lembrou o papel do professor como “teórico da economia solidária e socialista libertário” que “formou gerações de militantes comprometidos com os mais nobres ideais de civilidade”.

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