Reconstrução do Brasil

Pauta Brasil: é urgente ação do Estado para país sair da crise

Na primeira edição do programa, que estreou nesta segunda-feira (18), o presidente da Fundação Perseu Abramo e ex-ministro da Educação, Casa Civil e Ciência, Tecnologia e Inovação, Aloizio Mercadante, e ex-prefeito de São Paulo e ex-ministro da Educação, Fernando Haddad, discutiram perspectivas para o Brasil em 2021
:: Agência PT de Notícias19 de janeiro de 2021 10:10

Pauta Brasil: é urgente ação do Estado para país sair da crise

:: Agência PT de Notícias19 de janeiro de 2021

Estreou nesta segunda-feira, 18 de janeiro, o Pauta Brasil. O primeiro programa discutiu as perspectivas para o Brasil em 2021 e ouviu o economista Aloizio Mercadante, presidente da Fundação Perseu Abramo e ex-ministro da Educação, Casa Civil e Ciência, Tecnologia e Inovação, e o advogado Fernando Haddad, ex-prefeito de São Paulo e ex-ministro da Educação.

Haddad analisou as “crises sobrepostas” que são consequência do governo Bolsonaro e elencou algumas dos últimos quinze dias: saída da Ford do Brasil, “que depois de cem anos está deixando o Brasil para ampliar sua produção no Uruguai e Argentina”. Crise em Manaus e as mortes escandalosas em função da inação do governo no combate à pandemia. Os problemas no Enem que vão comprometer a qualidade e respeitabilidade do exame, com absoluta desorganização logística para a prova. Além disso, o isolamento do Brasil no mundo foram alguns exemplos.

“Não vejo nenhuma pasta que esteja recebendo da parte do presidente o comando adequado. O problema não são os ministros. O problema mais dramático do Brasil foi ter levado Bolsonaro à Presidência”, lamentou Haddad, sugerindo que os partidos progressistas devem se organizar muito para fazer política com P maiúsculo neste 2021.

Mercadante relembrou que a situação econômica caótica já estava em curso antes da pandemia. “Derrotamos Bolsonaro na questão do Auxílio Emergencial. Bolsonaro sempre defendeu a ditadura, o golpe, a tortura. O projeto estratégico dele é a desestabilização. Ele vem construindo uma narrativa de viés autoritário, militarizando o país, presente crescente de militares no governo e ausência de governo.

Para 2021, Mercadante não acredita em recuperação econômica e prevê crise social sem precedentes, com 14 milhões de pessoas sem emprego, outros 23 milhões de brasileiros sem nem procurar trabalho pelo receio da contaminação e por saberem que não há oferta, teto de gastos que impede o Auxílio Emergencial, forte aumento de alugueis, uma inflação para baixa renda que foi o dobro do que quem tem mais posses. Para Mercadante, se persistirem as políticas atuais “vamos para o abismo social”.

Cenário para 2021

A única vacina para a pandemia política, social, econômica e de saúde, só com o impeachment de Bolsonaro, defendeu Mercadante. “Essa crise precisa de política pública, de apoio à micro e pequena empresa, investimento”, disse.

“Precisamos de uma grande frente democrática e emparedar a escalada autoritária; a única resposta é uma frente de esquerda para vencer o governo Bolsonaro”, afirmou. O que está em jogo no Brasil, perguntou Haddad. Ele explicou que Guedes não veio para melhorar o Estado. Ao contrário das ações dos governos Lula e Dilma, Guedes foi contratado para retirar direitos, vender patrimônio público.

Para o futuro, Mercadante aponta as propostas do Plano de Reconstrução do Brasil, a necessária atenção aos que estão nas piores periferias do Brasil, “a pandemia não acabou e vai voltar com muita força”.

Outro tema do programa foi a urgente necessidade de digitalizar a periferia. “É muito importante que a gente olhe com muita atenção, colocar espaços de banda larga nas escolas para oferecer oportunidade de acesso aos jovens mais carentes. Eles foram muito prejudicados pela pandemia, como esperar que fossem fazer o Enem?”, questionou Mercadante.

A anulação dos processos contra Lula e o possível impeachment de Bolsonaro foram os assuntos finais do programa. Haddad pediu que os eleitores procurem seus parlamentares e pressionem. “Se não vencermos Bolsonaro no impeachment, venceremos nas urnas”.

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