Alessandro Dantas

O plenário do Senado aprovou nesta terça-feira (5/5) a proposta de criação da Universidade Federal Indígena (Unind). O Projeto de Lei (PL 6132/2025), de autoria da Presidência da República, determina a criação da universidade em Brasília, podendo ser constituída de forma multicêntrica, com campi nas regiões do Brasil para atender as especificidades da presença dos povos indígenas no país. O texto segue para sanção presidencial.
O estatuto da nova autarquia definirá sua estrutura organizacional e forma de funcionamento, observado o princípio de não separação das atividades de ensino, pesquisa e extensão.
O senador Randolfe Rodrigues (PT-AP) elogiou a iniciativa do presidente Lula ao encaminhar esse projeto ao Congresso Nacional. Para ele, esse é um passo fundamental para a reparação histórica do Estado brasileiro com os povos originários.
“Tínhamos, pelo menos 10 milhões de povos originários vivendo na América antes da chegada dos europeus. Hoje, temos no Brasil, menos de 1% do que tínhamos em 1500. Por isso precisamos de uma Universidade Federal Indígena. Para que gerações futuras de brasileiros saibam que construímos esse país sobre povos que aqui estavam, muito antes e deixaram heranças culturais que estão marcadas em nossa trajetória como Nação”, apontou Randolfe.

O Censo Demográfico de 2022 registrou 1.693.535 indígenas brasileiros, presentes em 4.833 municípios de todos os estados, além do Distrito Federal. Esse contingente, aponta o senador Eduardo Braga (MDB-AM), relator do projeto, representa um aumento de 88,8% em relação ao Censo de 2010, e mostra que o ritmo de crescimento da população indígena é “nitidamente superior ao do conjunto da população brasileira”.



