Golpe na Previdência

Reforma vai acabar com a Previdência, dizem magistrados

“Nós não podemos permitir uma reforma que passe sem discussão, com pressa, onde o trabalhador é punido, sem que a sociedade civil seja chamada e incluída nesse debate", diz AMB
:: Marcello Antunes20 de fevereiro de 2017 14:08

Reforma vai acabar com a Previdência, dizem magistrados

:: Marcello Antunes20 de fevereiro de 2017

A cada dia mais entidades aderem ao movimento contra a Reforma da Previdência proposta pelo governo golpista. Na quarta-feira (14), por meio da Frente Associativa da Magistratura e do Ministério Público (Frentas), o presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), Jayme de Oliveira, anunciou que juízes e procuradores estarão ao lado dos trabalhadores contra a reforma, e denunciou a falta de debate por parte do governo. “A reforma penaliza todos os trabalhadores e praticamente extingue o sistema previdenciário que foi construído ao longo dos anos para dar proteção social”, afirmou.

Uma onda de pedidos de aposentadoria é notada não apenas entre os servidores públicos, da iniciativa privada. Juízes e procuradores também estão correndo contra o relógio. “O trabalhador, com o modelo proposto, saberá que sua possibilidade de se aposentar vai acabar. No caso da magistratura, quem está no sistema já não tem tempo para entrar na previdência privada. E a renovação, a reposição vai custar mais caro para o próprio governo”, observou.

Jayme de Oliveira disse que a PEC 287/17 não traz uma linha ou faz qualquer menção sobre o modelo de gestão, enquanto o governo retira 30% do orçamento da Seguridade Social por meio da desvinculação das receitas. Na prática, isso faz o rombo da previdência. Para a Associação dos Magistrados Brasileiros, a seguridade social, amparada pela Constituição Federal, deveria ser preservada e não sofrer um ataque. “Boa parte do rombo que se diz ocorre pelo desvio dos recursos do sistema previdenciário”, afirmou.

Aos colegas magistrados, Jayme de Oliveira disse que é preciso participar das mobilizações, porque a pressão é fundamental para que o Parlamento fique sensível às mudanças necessárias no texto. “Nós não podemos permitir uma reforma que passe sem discussão, com pressa, onde o trabalhador é punido, sem que a sociedade civil seja chamada e incluída nesse debate. Isso não é possível”, enfatizou.

Reprodução autorizada mediante citação do site PT no Senado

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