Daniel Gomes

Senador avalia que a pressão da sociedade contra a anistia deve crescer na medida em que à medida que forem reveladas informações do envolvimento de figuras políticas nos atos de 8 de janeiro
O senador Rogério Carvalho (PT-SE), líder do PT no Senado, concedeu entrevista à rádio CBN na manhã desta quarta-feira (26/3) e comentou sobre a articulação da oposição para aprovar a chamada PEC da Anistia, que busca beneficiar condenados pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro. O parlamentar destacou que a iniciativa enfrenta resistência e que o governo está focado na aprovação de medidas econômicas essenciais para a população.
Na oportunidade, Carvalho enfatizou que a tentativa de conceder anistia aos envolvidos no 08 de janeiro é um risco à democracia, especialmente diante das novas provas que surgiram sobre a organização dos ataques às instituições.
“O que temos hoje são provas e indícios de uma tentativa de abolir o Estado Democrático de Direito, uma tentativa de golpe em última instância”, afirmou o senador.
Segundo ele, há evidências de que os organizadores dos atos antidemocráticos planejavam assassinatos de líderes políticos, incluindo o presidente Lula, ministros do Supremo Tribunal Federal e o vice-presidente Geraldo Alckmin. “Tudo isso pesa muito na opinião pública e reforça a necessidade de impedir qualquer anistia para quem teve oportunidade de firmar um acordo de não persecução penal e recusou”, ressaltou.
O parlamentar destacou, também, que Jair Bolsonaro e outros sete denunciados sequer foram julgados, o que torna a discussão sobre anistia ainda mais prematura. “Estamos na fase preliminar, que é a análise da aceitação ou não da denúncia pelo STF. Ou seja, nem há condenação para que se discuta anistia. O debate sobre isso, neste momento, não faz sentido”, explicou.
”Não haverá anistia!”
Um outro momento, o líder do PT no Senado questionou as declarações da oposição sobre um suposto apoio consolidado à PEC da Anistia no Congresso. “Eles têm assinaturas suficientes para dar caráter de urgência à matéria. Mas isso não significa que haja votos suficientes para aprová-la. A aprovação da urgência apenas acelera a tramitação do projeto, mas não garante sua aprovação no mérito”, alertou.
Para o senador, à medida que mais informações forem reveladas sobre o envolvimento de figuras políticas nos atos de 8 de janeiro, a pressão da sociedade contra a anistia deve crescer, tornando a aprovação da proposta ainda mais difícil.
Prioridade no Congresso: economia e benefícios à população
Rogério explicou explicou que, enquanto a oposição tenta articular a anistia dos golpistas, o governo federal segue concentrado na aprovação de pautas econômicas prioritárias. Rogério Carvalho destacou que a base aliada no Senado está mobilizada para garantir avanços na agenda econômica.
“Os ânimos se acirraram, e isso aumenta a obstrução no debate de pautas que interessam ao país. Mas o governo está trabalhando para consolidar uma maioria bastante mobilizada e alinhada às políticas que devemos aprovar este ano”, afirmou.
Entre os temas que devem ganhar destaque nas próximas semanas, o senador citou a isenção do Imposto de Renda e a reestruturação da infraestrutura financeira do país. “Além disso, há diversas outras propostas que serão anunciadas na próxima semana, todas de grande importância para trabalhadores, empreendedores e para a sociedade como um todo”, adiantou o parlamentar.
“A prioridade do Congresso deve ser a aprovação de medidas que melhorem a vida dos brasileiros, garantindo avanços na economia e evitando retrocessos democráticos”, concluiu.