E daí

Senadores cobram governo diante de milhares de mortes

Bancada do PT no Senado reagiu ao desdém de Jair Bolsonaro ao ser questionado sobre as mais de cinco mil vítimas do novo Coronavírus no Brasil. “Comece assumindo sua responsabilidade de presidente, seu irresponsável. Estamos falando de vidas”, cobrou o líder Rogério Carvalho
:: Rafael Noronha29 de abril de 2020 11:04

Senadores cobram governo diante de milhares de mortes

:: Rafael Noronha29 de abril de 2020

O Brasil registrou nessa terça-feira (28) o maior número de mortos em apenas um dia pelo novo Coronavírus desde o início da pandemia da Covid-19. Foram 474 vítimas fatais registradas em 24 horas, totalizando 5.017. Os casos confirmados de doentes também tiveram ampla escalada. Segundo balanço do Ministério da Saúde, foram contabilizados 5.385 novos doentes, totalizando 71.886 brasileiros contaminados.

Com os óbitos mais recentes, o número de mortos no Brasil superou o da China, primeiro epicentro do surto da doença. Questionado sobre isso, Bolsonaro respondeu: “E daí? Lamento. Quer que eu faça o quê? Sou Messias, mas não faço milagre”. A resposta, sem nenhuma demonstração de empatia com os milhares de brasileiros vítimas da pandemia e seus familiares, resultou em forte reação da bancada do PT no Senado.

“Não se trata de milagre, se trata de responsabilidade. As mais de cinco mil mortes registradas até hoje no Brasil estão na sua conta Bolsonaro, por não seguir as orientações da OMS e estimular o contato social. A responsabilidade é sua, presidente”, afirmou o líder da bancada, senador Rogério Carvalho (SE).

“Comece assumindo sua responsabilidade de presidente, seu irresponsável. Se espelhe no presidente da Argentina, que protegeu as vidas e os empregos dos Argentinos, e pare de molecagem. Estamos falando de vidas”, completou.

De acordo com dados do Ministério da Saúde da Argentina, ontem, o país chegou a 111 mortes e 4.003 contaminados. A Argentina tem adotado o isolamento social e obrigatório preventivo desde 20 de março.

A postura do presidente Alberto Fernandez, da Argentina, segue no caminho oposto do trilhado até agora por Bolsonaro. O presidente do Brasil tem ignorado as orientações da Organização Mundial da Saúde de forma reiterada e defendido o fim do isolamento social ignorando os dados e o crescimento do número de mortes e contaminados pelo vírus.

“Num dia em que o Brasil bate recorde de mortes pela Covid-19, com pessoas sendo enterradas em caixões empilhados, Bolsonaro ironiza: “E daí? Lamento”. É um presidente que ri da tragédia do país e do seu povo. Esse é o genocida que governa o Brasil e que está pouco se lixando para o fato de termos, nas últimas 24 horas, um recorde de mortos por Covid-19”, criticou o senador Humberto Costa (PT-PE).

Já o senador Paulo Rocha (PT-PA) destaca que “a crueldade da frase [de Bolsonaro], sem a mínima empatia, explica porque a maioria dos brasileiros já quer que ele saia da presidência da República”.

O ex-presidente Lula também se manifestou após a declaração de Bolsonaro afirmando que a falta de respeito do presidente com as vítimas e suas famílias mostram a urgência do debate para que ocorra a mudança de governo. “Ele [Bolsonaro] não cuida da pandemia, não cuida da economia e não cuida do povo”, disse.

 

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