Senadores petistas mostram solidariedade com o jogador Tinga

Atleta foi hostilizado pela torcida peruana, que o chamou de macaco. 

:: Rafael Noronha13 de fevereiro de 2014 18:25

Senadores petistas mostram solidariedade com o jogador Tinga

:: Rafael Noronha13 de fevereiro de 2014

Os senadores petistas se solidarizaram, nesta quinta-feira (13), com o jogador do Cruzeiro, Tinga, que foi vítima de atos de racismo por parte de cidadãos peruanos, na cidade de Huancayo, durante a partida dessa quarta-feira (12) da Copa Libertadores da América.

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Suplicy cobrou medidas por parte
da CBF para que episódios como
esse não se repitam
(Agência Senado)

Em plenário, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) ressaltou que demonstrações como essa empobrecem o esporte e disse ser imprescindível que a CBF tome uma atitude.

“É de fundamental importância que a exija que a tome urgentes providências, não só para punir o time do Real Garcilaso e sua torcida como também adoção de ações efetivas para coibir que atos dessa natureza venham a manchar o espetáculo proporcionado pelo futebol”.

Suplicy disse ainda esperar que o Brasil tire ensinamentos desse episódio, já que estamos a alguns meses de realizarmos uma Copa do Mundo.

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 Conterrâneo do jogador, Paim
lembrou o carinho que o cidadão
gaúcho tem pelo jogador
(Agência Senado)

O senador Paulo Paim (PT-RS), também em plenário, foi outro que lamentou o episódio, citando trecho de um texto do blogueiro Douglas Belchior, conhecido como Negro Belchior.

“O racismo sempre foi e continua sendo elemento central na estrutura de dominação da elite em nosso continente. Povos irmãos, de origens raciais similares e com história de violência e opressão também comuns, deveriam reconhecer-se e irmanar não apenas em momentos festivos, mas, principalmente, na busca de um mundo mais justo”, leu Paim, que, ao final de sua fala, lembrou o canto de uma escola de samba do Rio Grande do Sul, terra natal do jogador. “Tinga, Tinga, teu povo te ama!”.

Nas redes sociais
Nesta manhã, a presidenta Dilma se solidarizou com Tinga, por meio de seu perfil no Twitter. “Acertei com a ONU e a FIFA, que a nossa #CopaDasCopas também será a #CopaContraORacismo”, disse. Segundo a presidenta, “o esporte não deve ser jamais palco para o preconceito”.

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Lindberg utilizou as redes sociais
para se solidarizar com Tinga

O presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), senador Lindberg Farias (PT-RJ), também lamentou o fato em sua página no Facebook e disse que repudia veementemente “a intolerância que alimenta os preconceitos da sociedade”.

Entenda o caso
Paulo Cesar Fonseca, mais conhecido como “Tinga”, foi vítima de racismo na estreia de sua equipe mineira nos jogos da Libertadores, contra o Real Garcilaso. Durante a partida, sempre que ele, volante do Cruzeiro, tocava na bola, a torcida adversária fazia gestos e sons imitando “macaco”.

Ao final da partida, o jogador lamentou o fato e disse que trocaria todos os títulos conquistados por um mundo sem preconceitos. “A gente tenta esquecer, competir em campo. Fico chateado com isso. Em 2014, um país tão próximo da gente, mas infelizmente aconteceu. Já joguei longe, joguei vários anos na Alemanha e nunca vi isso na minha vida”.  

A origem mestiça do time peruano
Gómez Suárez de Figueroa é um dos filhos mais ilustres de Cuzco, talvez o mais ilustre. Mas pouca gente o conhece pelo nome real. O escritor e historiador nascido em 1539 adotou o nome artístico de Inca Garcilaso de la Vega. Filho de um conquistador espanhol com uma princesa inca, ele misturou os dois povos e se tornou o primeiro mestiço a ter projeção em todas as Américas. Hoje, “Inca Garcilaso de la Vega” virou nome de rua, estádio de futebol e até de uma escola em Cuzco. Uma escola cujos ex-alunos decidiram, em 2009, criar um clube, um clube que recebeu o nome que faz referência à escola e ao histórico personagem multirracial: Real Garcilaso.

O maior ídolo do futebol peruano é Teófilo Cubillas, um negro que, com a camisa 10, é considerado o grande craque do melhor Peru de todos os tempos e da melhor campanha da história da seleção peruana em Copas do Mundo, em 1970, quando chegou até as quartas de final. Outro negro era o treinador dessa mesma equipe, o brasileiro Didi.

Rafael Noronha, com informações do site Trivela

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