ENTREGUISMO

Senadores querem esclarecer pressa em vender a Eletrobrás

De acordo com os senadores de oposição, a pretensão do governo em privatizar, dentre outros órgãos, a Eletrobrás, coloca em risco todo o protagonismo público brasileiro no desenvolvimento do modelo elétrico
:: Rafael Noronha30 de agosto de 2017 12:44

Senadores querem esclarecer pressa em vender a Eletrobrás

:: Rafael Noronha30 de agosto de 2017

A Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo (CDR) aprovou nesta quarta-feira (30) pedido de audiência pública para debater as consequências e impactos da proposta – do atual governo – de privatização do setor elétrico e as consequências para o desenvolvimento regional.

De acordo com o requerimento, de autoria do senador Humberto Costa (PT-PE), a pretensão do governo em privatizar, dentre outros órgãos, a Eletrobrás, coloca em risco todo o protagonismo público brasileiro no desenvolvimento do modelo elétrico, colocando em um tabuleiro mercantil os recursos naturais pátrios, aviltando o Brasil enquanto nação, e ignorando, solenemente a questão da segurança nacional e dos recursos hídricos.

“O governo fala em oferecer toda essa estrutura [da Eletrobrás] por 20 bilhões de reais. Essa que talvez seja a maior companhia de eletricidade do mundo. É um verdadeiro crime que se comete. Quer se fazer tudo rapidamente num governo que não passou pelo crivo das urnas e não teve o aval do povo como deve ser nas democracias. O mínimo que temos de fazer é barrar esse processo. Podemos até discutir essa questão, mas sempre colocando a soberania nacional em primeiro plano”, defendeu o senador Jorge Viana (PT-AC), que subscreveu o pedido de audiência.

“O governo fala em oferecer toda essa estrutura [da Eletrobrás] por 20 bilhões de reais. Essa que talvez seja a maior companhia de eletricidade do mundo. É um verdadeiro crime que se comete”

Senador Jorge Viana (PT-AC)

A Eletrobrás foi criada em 1954, no governo Getúlio Vargas. Ao longo desses anos o Brasil investiu cerca de R$ 400 bilhões na companhia que possui 47 hidroelétricas, 69 usinas eólicas, 114 usinas termelétricas, além de toda a parte de transmissão e distribuição.

“A ideia é trazermos entidades e personalidades que possam tornar mais claro esse debate, para a opinião pública e para o Senado, o quão grave é essa proposta que lamentavelmente estamos apreciando. Não estamos falando de qualquer setor. Estamos falando de um setor estratégico. Todas as potências mundiais tratam o setor elétrico como estratégico, de interesse, segurança e soberania nacional”, salientou Viana.

Maior empresa de produção e distribuição de energia elétrica da América Latina, a Eletrobras garante o acesso à energia a um país de dimensões continentais, com uma população de mais de 200 milhões de habitantes e com uma economia diversificada, que está entre as mais complexas do mundo.

A sua privatização, e provável entrega a grupos estrangeiros, acabará com a segurança energética do Brasil. Submeterá o país a aumentos constantes e abusivos de tarifas, à desestruturação do fornecimento de energia, a riscos na distribuição e, inevitavelmente, à ameaça permanente de apagões e blecautes. Devemos todos lembrar do ano de racionamento de energia no governo FHC.

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