Investigação

“Sete não é maior do que 14”, afirma Randolfe ao questionar votação na CPMI do INSS

Senador lamentou que comando do colegiado tenha ignorado maioria da base governista

Alessandro Dantas

“Sete não é maior do que 14”, afirma Randolfe ao questionar votação na CPMI do INSS

O senador Randolfe Rodrigues (PT-AP) fez duras críticas ao presidente da CPMI do INSS, Carlos Viana (Podemos-MG), pela condução da reunião realizada na última quinta-feira (27/2), que resultou na aprovação de uma série de requerimentos de quebra de sigilo.

Segundo Randolfe, Viana teria ignorado a presença de 14 parlamentares da base governista no colegiado e considerado apenas sete votos para aprovar a pauta, o que, na avaliação do senador, comprometeu a legitimidade da deliberação.

“Cada um tem sua posição, sua base social. O senador é identificado com o bolsonarismo. Mas a gente precisa ter o mínimo de pacto de relação. Sete não é maior do que 14”, afirmou. “Tudo faz parte do jogo político. Mas, inclusive no jogo político, é preciso cumprir regras. Uma regra elementar a ser cumprida: sete não é maior do que 14”, reforçou.

O senador também mencionou editorial do jornal O Estado de S. Paulo que, segundo ele, questiona a regularidade da votação da última quinta-feira e defende a possibilidade de anulação da decisão pelo presidente do Congresso Nacional.

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Blindagem bolsonarista

Randolfe alertou ainda para o que classificou como tentativa de blindagem de envolvidos nos desvios de recursos de aposentados.

O senador defendeu a apuração rigorosa de práticas indevidas, incluindo a atuação de familiares de autoridades e indícios que, segundo ele, envolvem o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.

“Filho de presidente da República fazer lobby é indevido e deve ser rigorosamente apurado. Acho um absurdo, por exemplo, o filho do ex-presidente Bolsonaro ter feito lobby junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social para o senhor Danilo Trento”, declarou.

Randolfe também mencionou o senador Flávio Bolsonaro ao citar relações envolvendo investigados e defendeu que nomes como o de Danilo Trento deveriam ter sido incluídos nas apurações da CPMI.

Requerimentos não votados

De acordo com o senador, o principal problema da sessão não foi a aprovação dos requerimentos, mas a não inclusão de outros 20 itens que sequer chegaram a ser pautados.

Entre os nomes citados por Randolfe estão Fabiano Zettel, ligado à fintech Clava Forte e pastor da mesma igreja do senador Carlos Viana, além de Natália Zettel e Letícia dos Reis, que, segundo ele, tem relação com Antônio Carlos Rodrigues, o chamado “Careca do INSS”, e conduz o escritório de advocacia do senador Flávio Bolsonaro.

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Depoimento de ex-secretária do “Careca do INSS”

Durante o depoimento de Aline Bárbara, ex-secretária de Antônio Carlos Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, o deputado Paulo Pimenta (PT-RS) afirmou que, pelo teor dos questionamentos dirigidos à depoente, não há interesse dos integrantes da comissão em apurar quem foram os mandantes do esquema criminoso estruturado no INSS durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.

“Essa CPMI já avançou muito. Descobrimos que esse esquema só foi possível graças às mudanças feitas em portarias e normativas internas do INSS, assinadas por Onyx Lorenzoni, José Carlos Oliveira, Paulo Guedes e Jair Bolsonaro. Sem essas mudanças, aquele conjunto de empresas fantasmas que roubaram os aposentados não teriam conseguido saquear bilhões de reais”, afirmou.

Ex-secretária de Antônio Carlos Antunes prestou depoimento à CPMI. Foto: Alessandro Dantas
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