Alessandro Dantas

A senadora Teresa Leitão (PT-PE) defendeu a ampliação do número de leitores no Brasil e a construção de uma cultura sólida de leitura durante entrevista concedida à Record News nesta quinta-feira (23/4), Dia Mundial do Livro. Líder do PT no Senado e presidente da Comissão de Educação (CE), a parlamentar destacou que o incentivo ao hábito de ler é um desafio estrutural para o país e essencial para o desenvolvimento social e cultural da população.
A fala ocorre em um momento de leve recuperação do mercado editorial. De acordo com a pesquisa Panorama do Consumo de Livros, divulgada em março de 2026 pela Câmara Brasileira do Livro em parceria com a Nielsen BookData, 18% dos brasileiros com mais de 18 anos compraram ao menos um livro — físico ou digital — em 2025. O número representa um crescimento de dois pontos percentuais em relação a 2024, com cerca de 3 milhões de novos consumidores.
Apesar do avanço, Teresa Leitão ressaltou que os dados ainda estão distantes do ideal. Segundo ela, a leitura desempenha papel central na formação individual e coletiva.
“A leitura abre novos horizontes. Não é só um veículo de comunicação importante, um veículo de busca de conhecimento. Através do hábito da leitura, é possível viajar”, afirmou.
O debate ganha ainda mais relevância com o lançamento, pelo governo Lula, do novo Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL) 2026-2036. A política pública estabelece como meta, por exemplo, elevar o índice de leitores no Brasil de 47% para 55% até 2035, além de facilitar o acesso a livros e fortalecer políticas públicas voltadas ao setor.
A senadora também destacou o impacto da leitura na construção da identidade cultural e no domínio da linguagem.
“O hábito de ler traz componentes importantes para a identidade cultural. Traz um entendimento mais profundo da língua e das formas de comunicação. A expressão cultural e linguística tem suas variantes, e a leitura amplia esses horizontes”, completou.
Durante a entrevista, Teresa Leitão ainda chamou atenção para um obstáculo cotidiano enfrentado pela população adulta: a falta de tempo para a leitura. Nesse contexto, ela defendeu mudanças na jornada de trabalho, como o fim da escala 6 por 1, como forma de ampliar o tempo disponível para atividades culturais e de lazer.
Segundo a senadora, a redução da carga de trabalho pode contribuir para que os brasileiros tenham mais tempo para a convivência familiar e também para o hábito da leitura.
Para Teresa Leitão, o sucesso das políticas públicas voltadas ao livro depende de um esforço conjunto e contínuo. “É fundamental vencer esse desafio estrutural de ampliar o número de leitores”, concluiu.



