Investigação

CPI do Crime: Galípolo confirma atuação técnica do BC no caso Banco Master

Depoimento do presidente do Banco Central destaca orientação de Lula para atuação sem interferência política e baseada em critérios técnicos

Alessandro Dantas

CPI do Crime: Galípolo confirma atuação técnica do BC no caso Banco Master

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta quarta-feira (8/4), em depoimento à CPI do Crime Organizado, que a atuação da autoridade monetária no caso envolvendo o Banco Master seguiu critérios estritamente técnicos, sem interferência política.

Segundo Galípolo, o tema chegou ao seu conhecimento após convite para uma reunião no Palácio do Planalto, em meio a uma narrativa já disseminada no mercado.

“Eu recebi uma ligação do chefe de gabinete da Presidência, que pediu para que eu comparecesse à reunião. Quando eu chego à reunião, o tema seguia uma narrativa que estava bastante disseminada”, relatou.

De acordo com ele, representantes do banco sustentavam que enfrentavam dificuldades por suposta perseguição do mercado financeiro — argumento que, na sua avaliação, não se sustentava.

“Os acionistas do Master relatavam sempre uma história de que eles estavam sendo perseguidos pelo mercado financeiro, algo que não era muito aderente, dado o próprio tamanho do banco”, afirmou.

Galípolo explicou que o encaminhamento dado ao caso seguiu o padrão institucional do Banco Central, com direcionamento às áreas técnicas responsáveis.

“É comum quando alguém que é parte do processo procure a presidência. O que eu faço? Eu chamo o diretor da área, que é o responsável”, disse.

Ele ainda destacou que o próprio presidente Lula reforçou que o assunto deveria ser tratado exclusivamente pelo Banco Central. A afirmação enterra a narrativa espalhada pela oposição de que o órgão teria agido de forma política para proteger Daniel Vorcaro.

De acordo com o presidente do Banco Central, que ainda não havia assumido o posto à época da reunião, o presidente Lula havia reiterado que esperava uma análise técnica da situação.

“O Galípolo vai assumir, daqui a um mês, o Banco Central; esse é um tema que não cabe à Presidência da República, cabe ao Banco Central; e lá dentro a análise vai ser técnica”, teria respondido o presidente Lula, segundo Galípolo.

Orientação por autonomia técnica

Ainda durante o depoimento, Galípolo enfatizou que recebeu do presidente Lula orientação direta para conduzir o caso com independência e rigor técnico. Ele acrescentou que a diretriz foi clara no sentido de evitar tanto favorecimentos quanto perseguições.

“Sempre assim: ‘Olha, seja técnico, o mais técnico possível, você tem toda a autonomia nesse processo. Não proteja ninguém, não persiga ninguém. Faça o trabalho técnico, não importa quem seja, doa quem doer, vá até o final desse processo’”, afirmou Galípolo, reproduzindo a fala do presidente Lula.

Segundo o presidente do Banco Central, não houve qualquer tentativa de interferência sobre o andamento das análises envolvendo o caso dentro do órgão.

“Sempre gozei de toda a autonomia para poder fazer meu trabalho”, concluiu.

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