Social

Bolsonaristas tenta esvaziar o fim da escala 6×1; bancada do PT defende mobilização e urgência no Senado

Líder no Senado diz que oposição quer impor retrocesso camuflado de liberdade de escolha

Alessandro Dantas

Bolsonaristas tenta esvaziar o fim da escala 6×1; bancada do PT defende mobilização e urgência no Senado

Teresa Leitão criticou manobra da oposição contra fim da 6x1

O debate sobre o fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho ganhou novos contornos de disputa política no Congresso Nacional. Diante da forte pressão popular, parlamentares de direita têm articulado a votação de propostas “alternativas” tanto na Câmara quanto no Senado. A estratégia, contudo, é apontada pela bancada do PT como uma tentativa de flexibilizar direitos e precarizar as relações trabalhistas, esvaziando os textos que já estão em estágio avançado de tramitação.

Os senadores petistas defendem a imediata mobilização da sociedade para garantir que o Senado cumpra seu papel e conclua a votação das matérias que já estão prontas para deliberação. A líder da bancada, Teresa Leitão (PT-PE), alertou em artigo publicado no Diário de Pernambuco para os riscos das chamadas propostas alternativas que surgem sob o pretexto de modernização. Ela citou a PEC 12/2026, Do bolsonarista Rogério Marinho, como um exemplo de retrocesso camuflado de “liberdade de escolha”.

“Não podemos aceitar propostas de ‘flexibilidade’ que, sob o discurso da liberdade de escolha em torno das horas trabalhadas, tendem a transferir para os trabalhadores custos da precarização das relações de trabalho”, criticou Teresa Leitão.

A senadora destacou que o projeto da oposição institui o pagamento por hora e autoriza a livre pactuação direta entre patrão e empregado, fazendo com que o contrato individual prevaleça sobre as negociações coletivas. Para a líder, a prioridade absoluta deve ser superar o regime exaustivo de seis dias de trabalho por apenas um de descanso. “Confio que o Senado estará à altura deste compromisso histórico e social”, completou.

O senador Humberto Costa (PT-PE) endossou a avaliação da líder, apontando que a movimentação da oposição visa unicamente frear os avanços sociais. “A estratégia da extrema direita é a mesma de sempre: tumultuar para impedir novas conquistas. É inaceitável que tenhamos a PEC à espera de aprovação pelo Senado, algo a que a sociedade aspira, e eles sigam jogando contra o Brasil e os trabalhadores”, afirmou.

A cobrança pela celeridade nos trabalhos do Senado também foi defendida pelo senador Paulo Paim (PT-RS), que questionou a demora na votação. Paim lembrou que as pesquisas de opinião demonstram forte apoio da população à jornada de 40 horas semanais sem redução de salário e que muitos setores produtivos já aplicam esse modelo com sucesso.

“Surge uma pergunta inevitável: o que, afinal, está faltando para que o Senado vote a matéria? Por que tanta demora em uma proposta que impacta positivamente a vida de milhões de pessoas? Não temos mais por que demorar”, cobrou o senador gaúcho.

Paim obteve sinalizações do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, de que a proposta vai avançar na Casa. Paim disse que haverá uma sessão de debates sobre o fim da escala 6×1 no Plenário. Alcolumbre, que já recebeu empresários, assegurou a Paim receberá também os representantes dos trabalhadores.

Para o senador Rogério Carvalho (PT-SE), o Parlamento tem em mãos todos os insumos necessários para deliberar imediatamente, o que torna injustificável a criação de novos textos paralelos. De acordo com o parlamentar, que tem realizado caravanas de mobilização nas ruas de Sergipe, o clamor popular pelo fim da escala atual é evidente, sobretudo entre as mulheres trabalhadoras.

Rogério Carvalho disse que explicou há duas propostas em estágios avançados: uma que já avançou no Senado e outra que já foi aprovada pela Câmara. Segundo ele, o entendimento jurídico aponta para a viabilidade de regulamentar a transição por meio de lei complementar. “Se isso for aprovado, as propostas de emenda constitucional deixam de ter a mesma urgência que possuem hoje”, explicou, defendendo o foco nos projetos de lei ordinários que já tramitam.

A urgência do tema ganhou reforço com o envio do PL 1838/2026 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, proposta que fixa a jornada em 40 horas semanais e garante dois dias de descanso sem prejuízo aos salários. O projeto do Executivo deve concentrar as atenções das comissões nos próximos dias.

A senadora Eliziane Gama (PT-MA) destacou que o projeto enviado pelo presidente Lula está atualmente em tramitação na Câmara e, caso aprovado, seguirá para o Senado. Ela reforçou seu compromisso integral com a aprovação célere do texto enviado pelo Palácio do Planalto. “Essa proposta pode estar no centro dos debates do Congresso Nacional nesta semana. Se é importante para os trabalhadores e trabalhadoras do Brasil, é importante para o presidente Lula e também para mim”, garantiu.

Na mesma linha de defesa social, o senador Fabiano Contarato (PT-ES) sintetizou o espírito da mobilização defendida pela bancada, argumentando que os índices econômicos do país precisam se traduzir em bem-estar real para a classe trabalhadora. “Afinal, de que vale o crescimento de um país se os trabalhadores que o movem diariamente são privados do direito à qualidade de vida? Não podemos normalizar um modelo que transforma o descanso em exceção e exaustão em regra”, concluiu o senador capixaba.

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