Alessandro Dantas

O senador Paulo Paim (PT-RS) defendeu a redução da jornada de trabalho como uma medida de modernização da economia brasileira e de melhoria da qualidade de vida dos trabalhadores. Horas antes do início da discussão da proposta de emenda à Constituição (PEC) que trata do tema no Plenário do Senado, Paim afirmou que trabalhar menos horas não significa produzir menos, mas aproveitar os ganhos de produtividade proporcionados pelas novas tecnologias.
“Reduzir a jornada não é trabalhar menos para produzir menos; é trabalhar melhor, é modernizar a economia e produzir mais”, afirmou o senador. Para Paim, a discussão atual guarda semelhança com o debate ocorrido na Assembleia Nacional Constituinte, da qual participou, quando a jornada máxima semanal foi reduzida de 48 para 44 horas.
Segundo o senador, à época também houve resistência à mudança, com previsões de aumento de custos e desemprego. Paim argumentou que os resultados posteriores contrariaram os prognósticos negativos e que a economia brasileira continuou crescendo mesmo com a redução da jornada.
Quase quatro décadas depois, o parlamentar considera que os avanços tecnológicos tornam ainda mais necessária a atualização da jornada de trabalho. “Se a tecnologia aumentou tanto a capacidade de produzir, por que o trabalhador continua preso a uma jornada de décadas e décadas atrás?”, questionou.
Paim citou transformações provocadas pela automação, pelos computadores e, mais recentemente, pela inteligência artificial. Para ilustrar o impacto dessas mudanças, lembrou a própria experiência como metalúrgico em uma fundição de Caxias do Sul (RS). Segundo ele, na época, o trabalho de modelista exigia a produção manual de modelos que posteriormente eram utilizados na fabricação de milhares de peças. Hoje, explicou, a mesma atividade pode ser realizada com poucos comandos em um computador.
“Estou falando de fundição. Eu trabalhava em uma fundição: Fundição Maesa, em Caxias do Sul. O desenvolvimento econômico não pode significar apenas produzir mais. Mais desenvolvimento também significa viver melhor para todos”, afirmou.
O senador também destacou os impactos da redução da jornada sobre a educação e a qualificação profissional. Segundo dados apresentados por Paim com base em estudo do Dieese, 75% dos vínculos celetistas tinham jornadas superiores a 40 horas semanais em 2024, o equivalente a aproximadamente 36,6 milhões de vínculos. A jornada média era de 41 horas e 32 minutos por semana.



