Brasil

Paim: redução da jornada é continuidade da luta histórica dos trabalhadores

Senador defende 40 horas semanais e fim da escala 6x1 e afirma que avanços tecnológicos devem se traduzir em mais tempo para a vida

Agência Senado

Paim: redução da jornada é continuidade da luta histórica dos trabalhadores

O senador Paulo Paim (PT-RS) defendeu nesta quarta-feira (7/10) a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais e o fim da escala 6×1 como parte de uma trajetória histórica de conquista de direitos dos trabalhadores. Em discurso no Plenário, o parlamentar afirmou que a discussão não trata apenas da quantidade de horas trabalhadas, mas do direito ao tempo, à convivência familiar, ao descanso, à saúde e à qualidade de vida.

Paim lembrou que a jornada de trabalho já foi muito mais extensa e destacou as sucessivas conquistas obtidas ao longo do último século. Segundo ele, a referência de oito horas de trabalho, oito horas de descanso e oito horas para viver marcou uma das principais lutas trabalhistas.

No Brasil, a jornada de 48 horas semanais foi reduzida para 44 horas pela Constituição de 1988, após intensa mobilização durante a Assembleia Nacional Constituinte.

“O Brasil não parou depois da Assembleia Nacional Constituinte. De lá para cá, a sociedade caminhou, a tecnologia avançou, a produtividade aumentou”, afirmou.

Para o senador, o avanço tecnológico e a elevação da produtividade precisam ser considerados na discussão atual sobre a jornada. Ele citou a chegada da automação, dos computadores, da internet, da robótica e da inteligência artificial como transformações que modificaram profundamente o mundo do trabalho, enquanto a jornada semanal permaneceu em 44 horas.

Paim contestou os argumentos de que a redução da jornada necessariamente provocaria desemprego ou prejuízos e defendeu que trabalhadores com mais tempo disponível também movimentam a economia.

O parlamentar ainda destacou os efeitos da escala 6×1 sobre a saúde e a vida dos trabalhadores, especialmente daqueles submetidos a atividades pesadas, repetitivas, perigosas ou de alta pressão.

Para Paim, reduzir a jornada significa ampliar o tempo para estudar, buscar qualificação, cuidar da saúde, conviver com os filhos, praticar esportes, participar da comunidade e ter acesso à cultura. “O tempo também é riqueza, é vida”, resumiu.

O petista concluiu apontando que a redução da jornada representa a continuidade de uma luta histórica por melhores condições de trabalho. “Lá atrás, quando eram praticamente 60 horas por semana, o mundo caminhou para, hoje, menos de 40 horas. O Brasil está agora lutando, está com 44 para chegar às 40”, disse.

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