Alexandre Tombini: Brasil deve avançar na redução da carga tributária

Para ele, o Brasil deve aproveitar o cenário externo e se fixar como uma economia forte, baixo desemprego, projetos estruturantes e inclusão social.

:: Da redação12 de setembro de 2012 16:35

Alexandre Tombini: Brasil deve avançar na redução da carga tributária

:: Da redação12 de setembro de 2012

O ministro Alexandre Tombini, presidente do Banco Central, afirmou que o Brasil deve aproveitar os desafios que a economia global enfrenta neste momento para se tornar mais preparado e se posicionar como uma economia forte, que tem baixo nível de desemprego, projetos estruturantes em infraestrutura e elevado índice de inclusão social. “Ao promover a redução de custos de capital e trabalhista, do ponto de vista competitivo, isso representa uma janela para aproveitarmos as convergências para avançar na redução horizontal da carga tributária, que ainda é elevada”, disse Tombini ao participar de audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado nesta quarta-feira (12/09).

As medidas anunciadas ontem pela presidenta Dilma, reduzindo a tarifa de energia elétrica para os consumidores residenciais e industriais – queda irá de 16,2% até 28% – e mais uma rodada de desonerações da folha de pagamento para outros setores da economia formam o conjunto de medidas da convergência que Tombini citou. O custo trabalhista está caindo com a desoneração da folha salarial das empresas e o mesmo acontece com o custo de capital, já que a Taxa Selic vem caindo há um ano e esta hoje no patamar mais baixo da história: 7,5% ao ano.

O presidente do Banco Central observou que outro ponto a ser explorado é buscar o fortalecimento das fontes de financiamento de longo prazo no Brasil. “ Nós não aposentamos os ciclos monetários, mas é legítimo dizer que estamos num momento diferente, que vai ser refletido em breve, e uma das oportunidades de desenvolvimento do mercado de capitais está na oferta de debêntures pelo setor privado. Esses papéis tendem a ocupar os espaços dos títulos públicos conforme reduzimos a relação dívida líquida em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), hoje em 35% – em 2002 estava em 64%.

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Durante a audiência pública, o senador Lindbergh Farias (PT-RJ) fez uma observação para a total ausência no plenário da comissão de parlamentares da oposição que há um  alertavam preocupação com o ritmo de atividade da economia. “Lembro da agitação em 31 de agosto do ano passado quando o BC decidiu iniciar a queda dos juros. A oposição adotou a postura do mercado como sendo a que valia, ou seja, que seria temeroso reduzir o juro que estava em 12,5% ao ano. Mas o BC optou por outro caminho que deu bons resultados”, afirmou o senador.

Tombini respondeu para Lindbergh que não foi por uma vontade do administrador que a redução do juro foi promovida. Foi a perspectiva da inflação que contribuiu para isso e havia o reconhecimento de que era possível reduzir a Taxa Selic de forma mais rápida. “Mas tivemos que enfrentar as resistências contra as reações daquele período, mas hoje há o entendimento do que fizemos há um ano quando baixamos o juro. E o governo tem ajudado para criar as condições, no âmbito fiscal, e implantado políticas que se intensificam pelo lado da oferta” disse o presidente do BC.

Marcello Antunes

Fotos: Agência Senado

Confira a apresentação do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, na audiência da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado.


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