Analfabetismo perpetua desigualdade social, diz Paim

Ensino fundamental é o que mais colabora para fim das barreiras na sociedade.

:: Da redação28 de agosto de 2012 20:11

Analfabetismo perpetua desigualdade social, diz Paim

:: Da redação28 de agosto de 2012

O aumento da escolaridade dos brasileiros é um dos fatores preponderantes para a redução da desigualdade e para o crescimento da classe média do País, o que comprova a necessidade de mais investimentos na educação básica, no combate ao analfabetismo e na valorização do professor, afirmou o senador Paulo Paim (PT-RS) em discurso ao plenário na tarde desta terça-feira (28/08).

Os três objetivos foram consensuais entre todos os países ibero-americanos, que formularam o projeto Metas educativas 2021. “O analfabetismo é um perpetuador das desigualdades sociais e precisa ser enfrentado”, afirmou. Ele citou um estudo do pesquisador Marcelo Neri segundo o qual a possibilidade de um filho de pai analfabeto ficar analfabeto é de 32%, probabilidade que para menos que 0,2% entre os filhos de pais com curso superior completo. “O grau de escolaridade ainda é um aspecto que distingue claramente a classe social à qual pertence um indivíduo”.

Priorizar os investimentos no ensino básico e no combate à evasão escolar também são essenciais para que o país continue a superar a exclusão e a desigualdade. Paim destaca que nos países desenvolvidos, com modelos de ensino consolidados, as despesas com um estudante universitário é apenas duas vezes superior às destinadas a um aluno do ciclo fundamental. “No Brasil, a relação cresce para seis por um”.

Além do desafio de colocar todas as crianças e jovens de 4 a 17 anos na escola, o senador enfatiza a necessidade de garantir a aprendizagem adequada. “Apenas 9,1% dos alunos que chegam ao final do terceiro ano do Ensino Médio aprenderam o que seria de se esperar em Matemática. Em Língua Portuguesa, esse percentual chega a 25%. Isto é, de cada quatro alunos, apenas um domina o conteúdo”.

Para Paim, porém, “o verdadeiro desafio é investir no professor”.  Ele lamenta que, no Brasil, a educação continue sendo encarada “como um gênero de segunda ou de terceira necessidade. Assim, não dá para pensar que vamos ser um País de fato, um dia, de primeiro mundo”.

Professores mal remunerados e desestimulados, lembra Paim, contribuem para tornar as escolas pouco atrativas, uma das principais causas da evasão escolar—ao lado da pobreza, problemas de saúde, a gravidez na adolescência e a necessidade de trabalhar, entre outros.

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