Agência Brasil

Para senadores, interesses nacionais devem prevalecer diante de guerra tarifária iniciada pelo governo norte-americano
Senadores do PT pregaram cautela após o anúncio da aplicação de tarifas por parte do governo dos Estados Unidos. No anúncio feito pelo presidente Donald Trump, o Brasil receberá uma taxa adicional de 10% nos produtos exportados para os EUA.
A cautela pregada pelos parlamentares não significa subserviência ao país que retomou uma espécie de “guerra tarifária” ao redor do mundo. Eles defendem que o governo brasileiro adote a negociação para resguardar os interesses nacionais e busque todas as alternativas que possam minimizar os efeitos danosos dessa medida para a economia brasileira, o setor produtivo e os trabalhadores.
“Nosso compromisso é com o desenvolvimento do Brasil, com a defesa da nossa indústria, da nossa agricultura e dos empregos do nosso povo. Portanto, não aceitaremos passivamente medidas que ameacem nossa economia e penalizem nossos produtores”, destacou o senador Rogério Carvalho (SE), líder do PT.
A posição do senador se alinha à manifestação dada pelo presidente Lula nesta quinta-feira (3/4). Durante o evento “O Brasil Dando a Volta Por Cima”, Lula destacou que o Brasil sempre respeitou todos os países, desde o mais pobre até os mais ricos, além de defender o multilateralismo e o livre comércio. Porém é necessária reciprocidade. Portanto, o país responderá adequadamente à ação do governo norte-americano.
“Diante da decisão dos EUA de impor uma sobretaxa aos produtos brasileiros, tomaremos todas as medidas cabíveis para defender as empresas e os trabalhadores brasileiros. Tendo como referência a lei da reciprocidade econômica aprovada pelo Congresso e as diretrizes da Organização Mundial do Comércio”, disse o presidente Lula.
Congresso aprova ferramenta, mas diálogo deve prevalecer
O senador Paulo Paim (PT-RS) classificou o momento atual como “grave” e apontou que a saída se dará por meio da cautela, do diálogo e da diplomacia. Para ele, é essencial o governo do presidente Lula agir com responsabilidade para minimizar possíveis danos à economia nacional e ao povo brasileiro.
“Faço um apelo para que, mais do que nunca, todos nós mantenhamos uma posição firme para que o Brasil continue fazendo o bom debate, o bom diálogo, defendendo os interesses do povo brasileiro. Precisamos fortalecer nossas relações com outros parceiros comerciais, diversificar mercados e adotar medidas que protejam nossos trabalhadores, nossos empreendedores, nossa economia”, apontou.
O senador Humberto Costa (PE), presidente nacional do PT, destacou a aprovação do Projeto de Lei da Reciprocidade Econômica. A proposta, que aguarda a sanção do presidente Lula, prevê um conjunto de medidas de resposta a barreiras comerciais impostas por outros países a produtos brasileiros.
Para Humberto, é importante o Brasil dispor de tal ferramenta neste momento da economia global, mas enfatiza que a diplomacia é o principal caminho para solucionar tais disputas.
“Todos sabem que o presidente Trump deseja sobretaxar as importações. O que prejudicará muitos países, inclusive o Brasil, em particular no agronegócio, aço, etanol. Por isso, é importante que o presidente da República tenha autorização do Congresso Nacional para que, caso necessário, possamos sobretaxar importações de países que queiram sobretaxar nossos produtos e possamos enfrentar essa guerra [comercial] com todas as armas. Mas, evidentemente, a arma principal é a diplomacia, o entendimento e a negociação”, avaliou o presidente do PT.
O senador Rogério Carvalho também avalia que, a partir da proposta aprovada pelo Congresso Nacional, o Brasil fica preparado para dar respostas adequadas.
“Aprovamos no Congresso a Lei da Reciprocidade, uma medida fundamental para proteger a soberania econômica do nosso país e garantir que os interesses nacionais não sejam prejudicados por decisões unilaterais de outras nações”, disse.
Lula encerra visita ao Japão com 10 acordos históricos e reforço na parceria comercial
Brasil busca estreitar relações com outros parceiros
O líder do Governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), mostrou preocupação com a imposição de tarifa adicional do Brasil por prejudicar todo o mundo com uma lógica inversa ao multilateralismo econômico.
Uma das soluções apontadas pelo senador é a busca pelo fortalecimento das relações com outros parceiros comerciais do país, como tem feito o presidente Lula. Recentemente, o Brasil esteve no Japão e no Vietnã fechando acordos com as duas nações asiáticas.
Lula reforça laços com Vietnã e expande presença brasileira na Ásia
“Se os produtos brasileiros têm dificuldade de entrar nos EUA, é natural a gente abrir outras fronteiras. Foi o que fizemos agora no Japão e Vietnã. Há ali a previsão de alguns bilhões de dólares de incremento para o nosso país”, destacou Wagner.