Áudio do ‘discurso de posse’ de Temer pode caracterizar crime de conspiração, diz Viana

:: Da redação12 de abril de 2016 19:50

Áudio do ‘discurso de posse’ de Temer pode caracterizar crime de conspiração, diz Viana

:: Da redação12 de abril de 2016

Viana: áudio supostamente vazado por Temer ocupará algumas páginas tristes da história política recente do PaísO vazamento do “discurso de posse” do aspirante a presidente Michel Temer pode caracterizar um crime de conspiração. É o que avalia senador o Jorge Viana (PT-AC), que em pronunciamento ao plenário nesta terça-feira (12) repudiou o açodamento do vice-presidente da República, que sequer esperou a análise do Congresso Nacional sobre o pedido de impedimento da presidenta Dilma para “sentar na cadeira e pôr a faixa presidencial”.

Viana comparou Temer a Joaquim Silvério dos Reis, personagem que entrou para a história do Brasil por ter delatado Tiradentes, o mais cultuado heróis da Independência. “Tiradentes foi um foi um lutador pela liberdade enforcado, sem julgamento, sem [direito a] recurso. O que aconteceu ontem [segunda-feira, dia do vazamento do áudio de Temer] não tenho dúvida que ocupará algumas páginas tristes da história política recente do nosso País”.

Sobre a decisão da comissão da Câmara acolhendo a admissibilidade do processo de impeachment da presidenta, Viana acredita que alguns dos envolvidos na trama golpista, no futuro, ainda vão pedir desculpas por terem tido uma compreensão equivocada sobre o processo. A aprovação do relatório do deputado Jovair Arantes (PTB-GO), ressalta o senador, não pode ser considerada parte do jogo democrático. “Poderia ser, se não viesse com a roupagem de conspiração que tem como líder, comandante, oficial maior Eduardo Cunha”.

O senador elogiou a postura de setores do PMDB que têm se mantido longe das maquinações de Cunha e Temer, que pode ter nefastas consequências para o País.

“Sinceramente, acho que o PMDB tem que ser respeitado, como qualquer um que chega ao poder, como um partido a ser buscado para alianças, como um partido a trabalhar interlocuções dos projetos para o País, mas acho que o PMDB pode estar pondo fim a sua história, querendo chegar, pela segunda vez, à presidência sem voto. Sem voto. Será que não é estranho?”, questionou Viana.

O senador citou a pesquisa do Instituto DataFolha divulgada no último final de semana, que aponta Lula como o melhor presidente da história do Brasil, segundo 40% dos brasileiros, mesmo com todos os ataques. Lula cresceu nas intenções de voto e agora está à frente da Marina (Rede). Aécio Neves (PSDB), que agora está em terceira na pesquisa, perdeu dez pontos nos últimos meses e Alkmin (PSDB) também caiu, estando empatado com Bolsonaro (PSC), com 8%. E Michel Temer, “cujo nome, talvez, nunca tenha saído tanto na mídia como nos últimos meses”, aparece com 2%. “Será que a ficha não cai nunca?”

“Quando vejo líderes, como o senador [Romero] Jucá [PMDB-RR, novo presidente do PMDB após a renúncia de Temer, na semana passada], fazerem o discurso do risco pela baixa popularidade da presidenta Dilma, tenho no mínimo que cobrar coerência”, criticou Viana, ironizando o percentual atingido por Temer na pesquisa. “Dilma, que teve 54 milhões de votos, não pode governar porque ela está impopular, mas Temer quer virar presidente com 2% da preferência do eleitorado e nenhum voto!”

Viana alerta que, caso seja materializado o golpe, o País vai viver os piores momentos de sua história. “Para governar este País hoje, tem que se ter a junção de forças políticas para fazer as mudanças necessárias, dar a estabilidade de que o Brasil precisa para voltarmos a crescer, a gerar emprego e renda, a combater e fortalecer as instituições que combatem a corrupção. Sinceramente, acredito que uma parcela grande do PMDB vai estar, em respeito à sua história e à sua memória, defendendo a Constituição”, afirmou.

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