Esquerda atacada

Bancada reage a ameaças de Bolsonaro a Lindbergh

Líder do PT no Senado pediu proteção à PF. O senador foi citado em discurso de ódio do candidato do PSL
:: Carlos Mota23 de outubro de 2018 17:24

Bancada reage a ameaças de Bolsonaro a Lindbergh

:: Carlos Mota23 de outubro de 2018

Os senadores e senadoras do PT manifestaram solidariedade ao líder da bancada, Lindbergh Farias (RJ), além de repúdio ao deputado Jair Bolsonaro (PSL). Lindbergh decidiu pedir proteção à Polícia Federal após ser atacado em discurso pelo candidato da extrema direita à presidência.

Na tribuna do Senado, nesta terça-feira (23), a presidenta do PT, Gleisi Hoffmann (PR), repudiou o ataque sofrido pelo companheiro de partido. Ela lembrou que a legenda entrou com uma notícia crime contra Bolsonaro após as ameaças a Lindbergh e, também, ao candidato petista à presidência Fernando Haddad.

“Se acontecer algo a Haddad ou Lindbergh, a responsabilidade é dele. E subjetivamente dele a todos os crimes políticos que acontecerem neste país”, disse Gleisi.

O líder da Oposição no Senado, Humberto Costa (PT-PE), classificou a agressão ao senador Lindbergh como “algo inominável”.

“É algo típico de um nazista, que marca os adversários para que sejam perseguidos pela sua horda. O Brasil não pode assistir a essa ignomínia em silêncio. É preciso que haja uma reação imediata das autoridades a essa violenta agressão a um cidadão, que também é membro do Congresso Nacional”, disse Humberto.

Parlamentares também se manifestaram pelas redes sociais, como o senador Paulo Rocha (PT-PA): “Nossa solidariedade ao senador Lindbergh, ameaçado pelo candidato terrorista”.

A decisão de Lindbergh de pedir proteção à PF foi divulgada pela colunista Mônica Bergamo, nesta terça, no jornal Folha de S.Paulo.

Ameaça em discurso

No domingo (21), Jair Bolsonaro citou Lindbergh Farias em tom de ameaça em um discurso feito por telefone para seus seguidores na avenida Paulista, em São Paulo. Na fala, o candidato do PSL ainda diz que os “marginais vermelhos serão banidos” do Brasil.

“Foi o discurso de um candidato a ditador. A ideia central foi de eliminação do adversário. É um discurso que autoriza a violência. Me preocupo porque no Rio todos os grupos milicianos apoiam Bolsonaro”, afirmou o líder do PT no Senado.

A violência propagada por Bolsonaro foi tema de reunião entre membros do Partido dos Trabalhadores, na segunda-feira (22), com representantes da comissão de observadores da Organização dos Estados Americanos (OEA) que acompanha as eleições presidenciais no Brasil.

Na ocasião, Lindbergh voltou a repudiar as ameaças à democracia expressas no discurso do candidato do PSL, que fala em “fuzilar” adversários, perseguir veículos de comunicação e incitar a violência, prática que já resultou em pelo menos 50 casos de agressões, conforme registros em Boletins de Ocorrência.

 

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