Investigação

Contarato: não podemos permitir que a sombra da criminalidade paire sobre a economia

Senador afirmou que a CPI do Crime Organizado seguirá investigando como esquemas prosperaram se utilizando do sistema financeiro nacional

Alessandro Dantas

Contarato: não podemos permitir que a sombra da criminalidade paire sobre a economia

A CPI do Crime Organizado recebeu, nesta quarta-feira (11/3), o fundador da Reag Investimentos, João Carlos Mansur, para prestar esclarecimentos sobre as razões que levaram à liquidação extrajudicial da instituição pelo Banco Central em janeiro de 2026.

Antes da liquidação extraoficial, decretada em 15 de fevereiro, a empresa foi citada em duas operações policiais. Na Operação Carbono Oculto, a Polícia Federal desvendou um esquema bilionário de fraudes e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis, com participação do Primeiro Comando da Capital (PCC).

Em fevereiro, Mansur e a Reag também foram alvos da Operação Compliance Zero, que investiga a emissão de títulos de crédito falsos ligados ao Banco Master.

O depoente compareceu à comissão munido de um habeas corpus que lhe garantia o direito de permanecer em silêncio. Após manifestações de parlamentares, Mansur respondeu a alguns questionamentos e explicou, de forma geral, o papel de sua empresa, sem entrar em detalhes. Ele confirmou, durante sua fala, que o Banco Master era cliente da Reag.

“O propósito desta CPI é claro e se revela na cronologia dos fatos que nos trouxeram até aqui. A Reag Investimentos, empresa que o senhor Mansur fundou e presidiu, viu seu crescimento financeiro vertiginoso ser ofuscado por uma série de investigações que trouxeram à tona suspeitas gravíssimas”, afirmou o presidente da comissão, senador Fabiano Contarato (PT-ES).

Contarato destacou que está em jogo a confiança da população na solidez das instituições financeiras e na segurança do sistema econômico do país. “Não podemos permitir que a sombra da criminalidade paire sobre nossa economia. Esta CPI é, acima de tudo, um fórum de diálogo e esclarecimento”, disse.

Segundo ele, a comissão busca entender como os esquemas investigados conseguiram prosperar. “Nosso propósito é compreender como tais esquemas puderam avançar, identificar falhas em nossos mecanismos de controle e, mais importante, propor soluções concretas para que o sistema financeiro nacional permaneça hígido, protegido de vulnerabilidades e, acima de tudo, a serviço do povo brasileiro”, completou.

Requerimentos aprovados

Na mesma reunião, a CPI aprovou a convocação de dois servidores de carreira do Banco Central que foram afastados de seus cargos sob suspeita de receber vantagens indevidas em troca de favorecimentos ao Banco Master.

Também foi aprovada a quebra de sigilos de Fabiano Campos Zettel, empresário, pastor da Igreja Lagoinha e cunhado de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. Zettel é apontado como operador financeiro responsável por realizar pagamentos sob as ordens de Vorcaro.

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