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CPI define reconvocação de diretor do plano de saúde Prevent Senior

Pedro Benedito Batista Júnior faltou ao depoimento desta quinta alegando ter sido comunicado menos de 24 horas antes. Ele será ouvido na próxima quarta (22). A empresa é acusada de adotar para seus usuários tratamento precoce comprovadamente ineficaz para Covid-19. CPI também definiu data para oitiva do ministro-chefe da CGU, Wagner do Rosário
:: Rafael Noronha16 de setembro de 2021 12:47

CPI define reconvocação de diretor do plano de saúde Prevent Senior

:: Rafael Noronha16 de setembro de 2021

A CPI da Covid decidiu nesta quinta-feira (16) reconvocar Pedro Benedito Batista Júnior, diretor-executivo da operadora de saúde Prevent Senior, para a próxima quarta-feira (22), após sua ausência no dia de hoje.

Apesar de não comparecer à CPI alegando não ter sido comunicado em tempo hábil, o representante da Prevent Senior recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF) ainda na noite de ontem (15) para obter o direito de permanecer em silêncio durante a oitiva.

Documentos obtidos pelo colegiado apontam que a empresa adotou de forma indiscriminada aos seus usuários a prescrição de remédios do chamado “kit covid”, comprovadamente ineficazes para o tratamento da doença.

Além disso, os parlamentares acreditam haver ligações entre o gabinete paralelo do Ministério da Saúde – grupo de assessoramento extraoficial de Bolsonaro que defende a imunidade de rebanho e o tratamento precoce –, e as práticas adotadas pela Prevent Senior durante a pandemia. As investigações do colegiado apontam que a médica Nise Yamaguchi e o empresário Carlos Wizard seriam alguns dos integrantes do chamado gabinete paralelo.

“Esse não comparecimento [à CPI] e a ida ao STF [para garantir o direito ao silêncio] é paradoxal. Afinal de contas, essas pessoas têm propalado que o trabalho desenvolvido por essa instituição é preciso, científico e o objetivo é ajudar a enfrentar a pandemia. Nada mais natural que essas pessoas quisessem vir aqui. A melhor coisa é que a gente marque para a próxima semana a vinda desse pessoal. É uma contradição que eles tenham tantas coisas boas feitas e peçam ao Supremo para ficar em silêncio”, criticou o senador Humberto Costa (PT-PE).

A Prevent Senior é investigada desde março pelo Ministério Público de São Paulo. O órgão abriu inquérito civil para apurar denúncia de associados do plano que estavam recebendo o kit covid sem nem sequer terem confirmado o diagnóstico de Covid-19.

Além disso, a CPI também investiga a possível ocultação de mortes, por parte da Prevent Senior, de pacientes que participaram de um estudo realizado pela empresa para testar a eficácia da hidroxicloroquina, associada à azitromicina, para tratar a Covid-19. O estudo contou, inclusive, com o apoio de Bolsonaro.

“Nós precisamos atentar para um fato muito grave desse pessoal da Prevent. Eles estão aqui, numa nota pública, veladamente ameaçando as pessoas que queiram contribuir com a CPI. Diz a nota: ‘A Prevent Senior vai pedir investigações ao Ministério Público de denúncias infundadas e anônimas levadas à CPI por um suposto grupo de médicos’. É grave. A pessoa não vem aqui e ameaça as pessoas que estão contribuindo com a CPI”, denunciou o senador Jean Paul Prates (PT-RN), líder da Minoria.

Foto: Alessandro Dantas

O presidente da CPI, senador Omar Aziz (PSD-AM), informou que o colegiado tentará obter, para a próxima semana, o testemunho de um profissional de saúde que atuou na Prevent Senior durante a pandemia e presenciou, na prática, os crimes documentados aos quais os parlamentares tiveram acesso.

“Nós temos mensagens e gravações fortíssimas. Mas, talvez, teríamos que conversar para ver se algum deles [profissionais de saúde] se dispõem a vir à CPI”, explicou.

Denúncia de fraude em estudo pró-cloroquina agita CPI
Reportagem da GloboNews produzida a partir de documentos obtidos pela CPI da Covid mostram que a Prevent Senior teria manipulado estudo sobre a eficácia da hidroxicloroquina associada à azitromicina no tratamento contra a Covid-19 e na divulgação dos dados, mortes de pacientes teriam sido ocultadas.

A pesquisa começou a ser feita em 25 de março de 2020 e, numa mensagem publicada em grupos de aplicativos de mensagem, o diretor da operadora, Fernando Oikawa, orienta os subordinados a não avisar os pacientes e familiares sobre a medicação.

Dos nove pacientes que morreram, seis estavam no grupo que tomou hidroxicloroquina e azitromicina. Dois estavam no grupo que não ingeriu as medicações. Há um paciente cuja tabela não informa se ingeriu ou não a medicação. Houve, portanto, pelo menos o dobro de mortes entre os participantes que tomaram cloroquina.

“Lá atrás, ainda na época do ex-ministro [Luiz Henrique] Mandetta, no início de 2020, havia denúncia de subnotificação de casos de Covid-19 nessa entidade. Portanto, temos as informações, as gravações, as mensagens que precisam ser apuradas. Nós esperávamos que o senhor Pedro Batista Junior pudesse estar aqui hoje para enfrentar todas essas denúncias que são muito graves”, disse o senador Otto Alencar (PSD-BA).

Requerimento aprovado
A CPI aprovou requerimento de pedido de informações ao Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo para apurar o andamento das investigações relacionadas a denúncia de profissional de saúde da Prevent Senior que denunciou ao órgão ter sido ameaçado pela operadora de saúde.

Wagner do Rosário será ouvido na próxima semana
O colegiado definiu para a próxima terça-feira (21) o depoimento do ministro-chefe da Controladoria Geral da União (CGU), Wagner do Rosário.

O senador Omar Aziz pediu ontem (15) a inclusão de Rosário no relatório final do senador Renan Calheiros (MDB-AL) pela prática do crime de prevaricação.

“Wagner do Rosário é um prevaricador. Ele tem que vir mesmo aqui. Como ele sabia que Roberto Dias estava operando dentro do Ministério da Saúde e não tomou providência? Ele tem que explicar. Não são as operações que ele fez, não, mas a omissão dele em relação ao governo federal”, disse o senador durante o depoimento do lobista da Precisa Medicamentos, Marconny Faria.

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