Investigação

CPI do Crime convoca aliados de Bolsonaro para explicar ligações com o Banco Master

Roberto Campos Neto, Paulo Guedes, João Roma e outros serão ouvidos pelo colegiado sobre possíveis conexões com o caso

Alessandro Dantas

CPI do Crime convoca aliados de Bolsonaro para explicar ligações com o Banco Master

A CPI do Crime Organizado aprovou nesta quarta-feira (25/2) uma série de requerimentos de convocação de aliados e ex-integrantes do governo Bolsonaro. As iniciativas buscam esclarecer conexões e decisões adotadas durante a gestão que teriam permitido ao Banco Master operar no mercado financeiro nacional.

Investigações apontam que o Banco Master teria movimentado cerca de R$ 2,8 bilhões em operações de câmbio para uma empresa suspeita de lavar dinheiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC).

Os senadores querem entender por que Roberto Campos Neto, então presidente do Banco Central no governo Bolsonaro, editou resoluções que mudaram regras do sistema financeiro. Segundo integrantes da CPI, essas medidas reduziram exigências e facilitaram a criação de fintechs de crédito. Também alteraram as normas que obrigam os bancos a reservar dinheiro para cobrir possíveis perdas.

Além disso, parlamentares apontam que falhas na supervisão consolidada entre o Banco Central e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) teriam permitido a atuação de estruturas financeiras consideradas opacas.

O ex-ministro da Economia Paulo Guedes também teve aprovada a convocação para prestar esclarecimentos ao colegiado.

Para o senador Humberto Costa (PT-PE), há decisões adotadas por Campos Neto e Paulo Guedes que precisam ser explicadas, como a autorização da transferência do controle do Banco Máxima para Daniel Vorcaro, posteriormente condenado pela CVM por gestão fraudulenta de fundo de investimento.

“As denúncias relativas ao Master são bem antigas. O que foi feito pela Diretoria do Banco Central e pelo Roberto Campos em relação a isso? Lógico que isso interessa aqui à CPI. Assim como em relação ao Paulo Guedes. Não é nem por acusação de nada, é para que eles venham aqui e digam como esse processo do Banco Master foi se consolidando”, afirmou o senador.

O colegiado também aprovou as convocações de João Roma e Ronaldo Vieira Bento, ex-ministros da Previdência no governo Bolsonaro.

“Não necessariamente é uma pessoa que vem na condição de investigada. Mas pode contribuir com informações a respeito de como se dava a operação do Banco Master e como se davam as relações de conquista de apoio para negócios financeiros de grande monta”, acrescentou.

“Não estamos protegendo ninguém”, diz Contarato

O presidente da CPI do Crime Organizado, senador Fabiano Contarato (PT-ES), afirmou durante a reunião deliberativa que não haverá blindagem de investigados.

“Não estamos blindando ninguém aqui. Essa presidência não está blindando ninguém. Pautei requerimentos, quebras de sigilo. Irmãos de ministros tiveram pautadas quebras de sigilo bancário e telemático. Se tem alguém tentando apurar com responsabilidade, mas com honestidade intelectual diante daquilo que está sendo conduzido dentro do plano de trabalho”, declarou.

Na mesma reunião, os parlamentares aprovaram uma extensa lista de convites. Confira:

  • Dias Toffoli, ministro do STF;
  • Alexandre de Moraes, ministro do STF;
  • Viviane Barci de Moraes, advogada;
  • Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central;
  • Rui Costa, ministro-chefe da Casa Civil;
  • Tomás Miguel Ribeiro Paiva, comandante do Exército;
  • Danilo Lovisaro do Nascimento, procurador-geral do Ministério Público do Estado do Acre e presidente nacional do Grupo Nacional de Combate às Organizações Criminosas (GNCOC);
  • Carlos Rocha Sanches, superintendente regional da Polícia Federal no Acre;
  • Uirá Ferreira do Nascimento, diretor-geral da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro;
  • Tenente-coronel Marcelo de Castro Corbage, comandante do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope);
  • Lucas de Morais Gualtieri, procurador federal e coordenador da Operação Trapiche (GAECO-MG);
  • Christian Vianna de Azevedo, oficial da Polícia Federal;
  • Alberto Simonetti, presidente da OAB-DF;
  • Isabella Buium, especialista em compliance e criptoativos;
  • Loretta Napoleoni, especialista em financiamento ao terrorismo;
  • Emanuele Ottolenghi, especialista em redes de ameaças híbridas e financiamento do terrorismo;
  • Armando Antão Cortez, chefe do Secretariado para Análise Integral do Terrorismo Internacional (SAIT), da Argentina.
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