Cunha, Temer, Jucá, Geddel e o La Vue Ladeira da Barra

:: Da redação25 de novembro de 2016 13:19

Cunha, Temer, Jucá, Geddel e o La Vue Ladeira da Barra

:: Da redação25 de novembro de 2016

Foto: Alessandro Dantas25 de novembro de 2016/ 11:02

Para a senadora Fátima Bezerra (PT-RN), as denúncias de que o ministro Geddel Vieira Lima pressionou seu então colega Marcelo Calero para garantir a liberação da construção de um edifício em área tombada pelo patrimônio histórico na Bahia mostra como o governo ilegítimo de Michel Temer é um verdadeiro “balcão de negócios. Em artigo publicado nesta sexta-feira (25 ) pelo Novo Jornal. Ela diz que o momento é de voltar às ruas e pedir impeachment de Michel Temer. 

Confira a íntegra do artigo:

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), subordinado ao Ministério da Cultura, emitiu parecer contrário à construção do edifício denominado La Vue Ladeira da Barra, a ser erguido no entorno de uma área tombada no Estado da Bahia.

No último dia 18 de novembro, entretanto, o ministro da Cultura do governo ilegítimo, Marcelo Calero, pede demissão do cargo. Em entrevista à Folha de São Paulo, revela que vinha sendo acintosamente pressionado pelo ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima, a interferir no IPHAN e reverter o parecer negativo do Instituto, de modo a liberar a construção do mencionado edifício sem adequação do projeto ao regramento especial. Segundo Calero, Geddel deixou claro que seria pessoalmente prejudicado caso o parecer não fosse revertido, pois adquiriu um apartamento no La Vue Ladeira da Barra.

Cabe destacar ainda que a Superintendência do IPHAN na Bahia havia emitido uma licença de construção, que posteriormente foi cassada pelo IPHAN nacional. De acordo com o ex-ministro da Cultura, a Superintendência do IPHAN na Bahia é comandada por um aliado do ministro Geddel Vieira.

Se confirmada a acusação do ex-ministro da Cultura, não resta dúvida de que estamos diante de um caso de tráfico de influência em defesa de interesses privados, protagonizado por um ministro da estreita confiança de Michel Temer, responsável pela articulação política do governo junto ao Congresso Nacional.

A denúncia, por si só, seria suficiente para o presidente ilegítimo afastar, ainda que temporariamente, o ministro Geddel Vieira, mas a postura governista caminhou no sentido contrário. Michel Temer tratou de minimizar o ocorrido, enquanto a base de sustentação do governo ilegítimo no Congresso Nacional, num gesto de severa obediência, divulgou manifesto de apoio ao insuspeito ministro.

Coube à oposição denunciar o escândalo e cobrar que a Procuradoria Geral da República, o Ministério Público e a Comissão de Ética da Presidência da República apurem a denúncia, expressa literalmente nas páginas da Folha de São Paulo.

Marcelo Calero teve a oportunidade de pedir demissão antes de ser demitido, ao contrário de Fábio Medina Osório, que foi demitido do cargo de advogado-geral da União em setembro e afirmou com todas as letras que foi demitido porque o governo não quer avançar na operação Lava Jato.

Impossível não resgatar, portanto, as palavras do atual líder do governo Temer no Senado Federal, Romero Jucá. Em conversa com o ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, sem saber que a ligação estava sendo gravada, o senador Romero Jucá verbalizou:

“Tem que mudar o governo pra poder estancar essa sangria. […] Só o Renan que está contra essa porra. Porque não gosta do Michel, porque o Michel é Eduardo Cunha”.

Palavras que ganharam ainda mais sentido no último dia 24 de novembro, quando a imprensa noticiou que o ex-ministro Calero afirmou à Polícia Federal que o próprio presidente da República o pressionou para que liberasse a construção do edifício no qual Geddel Vieira adquiriu um apartamento. Nos bastidores do Planalto, afirma-se que Calero teria inclusive gravado conversas com Michel Temer.

Passado o golpe de Estado e consumada a mudança do governo, hoje podemos completar o quebra-cabeças: Michel é Eduardo Cunha, que é Romero Jucá, que é Geddel Vieira Lima….

 

Não podemos simplesmente fingir que nada está acontecendo. Em pouco mais de seis meses de governo, aqueles que se associaram para destituir uma presidenta que não cometeu nenhum crime de responsabilidade estão transformando o Palácio do Planalto em um balcão de negócios pessoais. Não temos que ter nenhuma dúvida: o momento é de ocupar as ruas do país contra a retirada de direitos e pelo impeachment de Michel Temer. Diretas já!