Direitos Humanos

Debatedores pedem políticas públicas para população negra com deficiência

Por iniciativa do senador Paulo Paim, Comissão de Direitos Humanos debateu a necessidade de implementação de cotas para essa parcela da população

Alessandro Dantas

Debatedores pedem políticas públicas para população negra com deficiência

Senador Paulo Paim destacou importância do debate para ampliar conhecimento sobre o tema e promover a melhor implementação das políticas públicas

A Comissão de Direitos Humanos (CDH) promoveu, nesta segunda-feira (18/9), uma audiência pública para debater o tema “Vidas Negras com Deficiência Importam”. A realização da audiência atendeu a um requerimento do presidente da comissão, senador Paulo Paim (PT-RS), que também dirigiu o debate.

Segundo Paim, o tema da audiência faz referência a um movimento criado para lutar por uma sociedade antirracista e anticapacitista. O movimento busca políticas públicas de proteção e respeito aos grupos minoritários, com destaque para as pessoas pretas com deficiência. Paim informou que recebeu um relatório do movimento, com dados sobre quilombolas, indígenas, populações em situação de rua e outros grupos marginalizados. De acordo com o senador, o documento também faz sugestões sobre iniciativas do estado e da sociedade em favor dessas classes mais vulneráveis.

“Precisamos debater a temática para melhor implementar as políticas públicas. Trata-se de uma discriminação mais hedionda ainda”, afirmou o senador Paulo Paim.

Na visão da ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, o capacitismo e o racismo são duas formas cruéis de exclusão. Ela defendeu a importância da política de cotas, como forma de ampliar a democracia, combater os preconceitos e aumentar o acesso à educação e ao trabalho. A ministra disse ainda que a sua pasta tem procurado firmar parcerias para trabalhar iniciativas em favor das populações pretas e com deficiência.

“Nossa missão é tão grande e tão transversal! Só vamos melhorar se trabalharmos coletivamente. Há ainda muito a corrigir para superar essas desigualdades”, declarou a ministra.

Dificuldades

A secretária dos Direitos da Pessoa com Deficiência do Ministério dos Direitos Humanos, Anna Paula Feminella, disse que grupos como negros e deficientes têm sido comumente silenciados ao longo da história. Para um grupo como negros com deficiência, acrescentou a secretária, as dificuldades costumam ser ainda maiores. Ela registrou que a atenção com esses grupos marginalizados é um tema prioritário para o governo e afirmou que esses preconceitos precisam ser enfrentados com um novo ciclo de políticas públicas.

“O racismo e o capacitismo ampliam as desigualdades sociais. Para enfrentar essa série de questões, estamos nos colocando à disposição para ações de reparação”, ressaltou a secretária, que é cadeirante.

A pedagoga Luciana Viegas reconheceu que a dupla discriminação é um tema complexo. Para ela, que é ativista dos direitos humanos, o Estado tem colaborado com a “produção da deficiência”, já que a falta de saneamento, a violência policial e o pouco acesso à educação atingem principalmente as pessoas negras ou com deficiência. Com base em uma pesquisa, Luciana Viegas informou que a pessoa negra com deficiência tem bem mais dificuldade em receber o benefício de prestação continuada (BPC) do que um branco deficiente, por conta da resistência do agente do estado em reconhecer a deficiência.

“É preciso ampliar o olhar em relação à pessoa negra com deficiência. Precisamos entender a realidade da dupla discriminação”, alertou a pedagoga, que é autista.

Violência

O professor Levi Castro, da União de Núcleos de Educação Popular para Negras e Negros e Classe Trabalhadora (Uneafro), apontou que pessoas com deficiência são mais suscetíveis à violência – desde a violência sexual até a violência psicológica, passando também pela violência policial. Ele, que é cadeirante, registrou que a pessoa com deficiência tem mais dificuldade em entrar no mercado de trabalho. Essas dificuldades, acrescentou o professor, são ainda maiores quando se trata de uma pessoa negra com deficiência.

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