Dia do Índio – por Paulo Paim

De tantos mitos e lendas da cultura indígena há um que fala da Terra-Sem-Males. 

:: Da redação19 de abril de 2013 15:55

Dia do Índio – por Paulo Paim

:: Da redação19 de abril de 2013

De tantos mitos e lendas da cultura indígena há um que fala da Terra-Sem-Males. Esse lugar seria o centro do mundo, do universo, em que os homens seriam iguais entre seus iguais. Um planeta melhor, mais pleno, mais feliz, sem guerra, nem ódio, com terra, água e pão para todos.   

Este chão sagrado, por vezes tão distante, implacável nas diferenças… e por segundos, minutos e horas, tão perto, tão aqui ao nosso lado… 

…bastando, simplesmente, a comunhão dos homens num tratado de paz e solidariedade que alimente a nossa esperança para outros, melhores e possíveis caminhos.

Às vezes, e muitas vezes, após refletir sobre esse simbolismo, sobre essa mítica indígena, me pergunto qual é o nosso compromisso com esse povo?

O que de fato, pragmaticamente, estamos realizando em ações, se estamos navegando para a união entre o céu (o homem) e a Terra (mulher)…

…Ou, se são meras discussões ao acaso, desprovidas de sabedoria e que nos afastam  da vida das reais necessidades dos 350 mil indígenas…

…que hoje vivem nas aldeias e dos 190 mil que vivem em áreas urbanas.

Terra-Sem-Males, senhoras e senhores senadores, eu gostaria de terminar essas minhas palavras…

…recitando o poema\canção “Missa Da Terra Sem Males”, de autoria de Pedro Casaldáliga, Pedro Tierra e Martin Coplas.

Em nome do Pai de todos os Povos \ Maíra de tudo \ excelso Tupã.

Em nome do Filho \ que a todos os homens nos faz ser irmãos \ no sangue mesclado com todos os sangues \ em nome da Aliança da Libertação.

Em nome da Luz de toda Cultura \ em nome do Amor que está em todo amor.

Em nome da Terra-sem-males \ perdida no lucro, ganhada na dor \ em nome da Morte vencida \ em nome da Vida \ cantamos Senhor!

Eu era a Terra livre \ eu era a Água limpa \ eu era o Vento puro \ fecundos de abundância \ repletos de cantigas.

E nós te dividimos em regras e em fronteiras \ a golpes de ganância \ retalhamos a Terra \ invadimos as roças \ invadimos as tabas \ invadimos o homem.

Eu fazia um caminho a cada vez que passava \ era a Terra o caminho \ o caminho era o homem.

Senador Paulo Paim (PT-RS)

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