Dilma condena preconceito com médicos estrangeiros

"É importante dizer que os médicos estrangeiros vêm ao Brasil para trabalhar onde os médicos brasileiros, formados aqui, não querem trabalhar”.

:: Da redação28 de agosto de 2013 14:37

Dilma condena preconceito com médicos estrangeiros

:: Da redação28 de agosto de 2013

A presidenta Dilma Rousseff falou, nesta quarta-feira (28), em entrevista a rádios de Belo Horizonte, sobre a importância da chegada de médicos estrangeiros ao Brasil por meio do programa do Governo Federal “Mais Médicos”. Durante a entrevista, além de explicar o funcionamento do programa, a presidenta também lamentou a atitude, considerada por ela, preconceituosa, de parte dos profissionais de saúde brasileiros, que tem atacado de forma veemente seus colegas de profissão, principalmente, os cubanos.

“É um imenso preconceito que estamos 
vendo externado contra os médicos 
cubanos”

“É um imenso preconceito que estamos vendo contra os médicos cubanos. É importante dizer que os médicos estrangeiros, e não só os cubanos, porque têm de várias nacionalidades, vêm ao Brasil para trabalhar onde os médicos brasileiros, formados aqui, não querem trabalhar”, explicou. “O que não é correto, é supor que em algum país do mundo existe um bloqueio à vinda de profissionais especializados, quando esse mesmo País não tem médicos suficientes”, emendou.

A presidenta explicou ainda que o Brasil seguiu a política adotada por diversos países do mundo, dentre eles Canadá e Estados Unidos. E acrescentou que, outros países possuem em seus quadros de profissionais de saúde, uma grande quantidade de médicos formados em diversos locais do mundo. “Nos Estados Unidos, 25% dos médicos que atuam lá se formaram em outro país. No Canadá, esse índice chega a 37%. No Brasil, esse índice está abaixo de 2%”, elencou.

No caso dos cubanos, o modelo de contratação é diferenciado dos demais médicos estrangeiros e é por meio de um convênio com a Organização Pan-americana da Saúde (Opas), como ocorreu em outros 58 países onde os profissionais trabalharam. “Uma parte do recurso pago ao profissional segue para a Organização e outra parte eles recebem aqui no Brasil. O salário que a Opas encaminha para Cuba, os familiares desses profissionais receberão”, explicou.

Possibilidade de permanência
Segundo a presidenta, os médicos estrangeiros que desejarem permanecer no País, após o final do prazo de permanência fixado pelo Mais Médicos, poderão continuar atuando, desde que cumpram os requisitos previstos na legislação brasileira, como a realização e aprovação na prova chamada de Revalida.

“Tudo que pudermos fazer, dentro da lei, para levar médicos aos locais onde não existem esses profissionais, nós vamos fazer”, enfatizou.

“Aqui no Brasil, nós vamos acompanhar esses médicos com toda uma estrutura ligada ao Ministério da Educação e ao Ministério da Saúde, com participação das universidades públicas, as secretarias de saúde, vai haver um acompanhamento um monitoramento das ações desses médicos”, concluiu.

Agência Brasil

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