Dilma vai levar espionagem americana à assembleia da ONU

Em discurso de abertura da cerimônia, presidenta será incisiva contra a “curiosidade” americana.

:: Da redação23 de setembro de 2013 14:43

Dilma vai levar espionagem americana à assembleia da ONU

:: Da redação23 de setembro de 2013

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Dilma já está em Nova York, onde fará o
discurso na quarta-feira

As críticas às práticas de espionagem do governo americano no discurso de abertura da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), amanhã (23), serão o destaque da visita de três dias da presidente Dilma Rousseff a Nova York. Ela está decidida a mostrar o descontentamento com a “curiosidade” dos americanos que, segundo as denúncias, atingiram até conversas da presidenta, além de assessores do governo e da Petrobras.

Dilma deve ressaltar em seu discurso que a espionagem é inadmissível, especialmente contra o Brasil, um país que não professa nem abriga o terrorismo e que é aliado dos Estados Unidos. Outro aspecto considerado grave e que deve ser destacado por Dilma é o fato de a NSA ter bisbilhotado informações da Petrobras, o que poderia trazer danos aos negócios da estatal no mercado num momento delicado, em que o governo está colocando em prática um amplo programa de concessões.

Ela também deve defender uma internet livre, destacando a importância da neutralidade da rede e da proibição de seu uso para espionagem.

Por tradição, cabe ao Brasil fazer o primeiro discurso na assembleia da ONU – em seguida, falará o presidente Barack Obama. O Brasil abre o encontro desde a primeira reunião, quando o então chanceler Oswaldo Aranha foi o primeiro orador do foro internacional, chefiando a delegação brasileira na ONU que defendeu a criação do Estado de Israel.

Não está previsto um encontro entre Obama e Dilma para tratar da espionagem. Já o ministro das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo, deve se reunir com o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, depois da partida de Dilma de Nova York, o que vai ocorrer na quarta-feira.

Até ontem à noite, não havia agenda prevista para Dilma esta segunda. Na terça, ela terá uma reunião bilateral com o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, antes do discurso na assembleia geral. À tarde, deverá participar da primeira sessão do Foro de Alto Nível para o Desenvolvimento Sustentável da ONU, e se encontrar com o presidente da Telefónica, Cesar Alierta Izuel.

Na quarta-feira, Dilma participa de um seminário sobre oportunidades em infraestrutura no Brasil, que também terá a presença dos ministros Guido Mantega (Fazenda) e Fernando Pimentel (Desenvolvimento), do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, e do presidente do BNDES, Luciano Coutinho.

Com informações das agências de noticias

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